Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: |
2021 |
Autor(a) principal: |
Riccio, Luiza da Gama Coelho |
Orientador(a): |
Não Informado pela instituição |
Banca de defesa: |
Não Informado pela instituição |
Tipo de documento: |
Tese
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Tipo de acesso: |
Acesso aberto |
Idioma: |
por |
Instituição de defesa: |
Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
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Programa de Pós-Graduação: |
Não Informado pela instituição
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Departamento: |
Não Informado pela instituição
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País: |
Não Informado pela instituição
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Palavras-chave em Português: |
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Link de acesso: |
https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/5/5139/tde-28102021-134952/
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Resumo: |
Introdução: Endometriose é uma doença crônica ginecológica caracterizada pela presença e crescimento de células endometriais fora da cavidade uterina. É uma doença inflamatória benigna, porém frequente, afetando cerca de 5-15% das mulheres em idade reprodutiva, causando dor pélvica crônica e infertilidade. A fisiopatologia da endometriose ainda não está completamente esclarecida, e sua progressão está associada à inflamação crônica e a alterações na resposta imunológica. Células endometriais que alcançam a cavidade peritoneal através da menstruação retrógrada escapam dos mecanismos de imunovigilância, provavelmente devido a uma redução da atividade fagocítica dos macrófagos e da citotoxicidade das células natural killer. A imunidade adaptativa também contribui para o desenvolvimento da doença. A presença de uma ativação policlonal dos linfócitos B, com produção de autoanticorpos anti-endométrio, foi descrita em mulheres com endometriose. Porém, o papel exato destas células no mecanismo da doença ainda não é totalmente conhecido. Existe uma necessidade urgente de opções terapêuticas não-hormonais para o tratamento da endometriose e terapias imunes podem trazer novas perspectivas. Objetivo: Avaliar os efeitos da depleção com anti-CD20 e da inativação com o inibidor da Bruton´s tyrosine kinase (Btk) dos linfócitos B no desenvolvimento da endometriose em camundongos. Métodos: Neste estudo experimental, o desenvolvimento da endometriose foi comparado entre um grupo controle e animais tratados com o anticorpo anti-CD20, que causa a depleção dos linfócitos B, e com o inibidor Btk Ibrutinib, que leva à inativação destas células. Foram utilizados dez animais por grupo por experimento independente. Foi utilizado o modelo cirúrgico de endometriose, com transplante de tecido endometrial para a cavidade peritoneal dos camundongos. As lesões de endometriose foram comparadas através do volume, peso, medidas ultrassonográficas, histologia e expressão gênica de genes alvo nos implantes. Os fenótipos dos linfócitos B, B ativados, B regulatórios (Breg), linfócitos T e macrófagos foram avaliados através da citometria de fluxo das células extraídas do baço e fluido peritoneal dos camundongos. Citocinas no soro e no fluido peritoneal foram quantificadas por ELISA. Resultados: O Ibrutinib preveniu o crescimento das lesões de endometriose, reduziu a expressão de ciclooxigenase-2, alpha smooth muscle actine e colágeno tipo I nas lesões, inativou os linfócitos B e aumentou o número de linfócitos Breg no baço de camundongos com endometriose. Além disso, o número de macrófagos M2 diminuiu na cavidade peritoneal dos animais tratados com Ibrutinib, comparados àqueles tratados com anti-CD20 e controles. A depleção dos linfócitos B com o anticorpo anti-CD20 não teve efeito sobre o crescimento e atividade dos implantes, nem sobre os macrófagos. Conclusão: O tratamento com Ibrutinib reduziu o tamanho e a atividade das lesões, bem como a expressão de marcadores de inflamação e fibrose, enquanto a depleção completa dos linfócitos B com o anti-CD20 não teve impacto sobre a doença. No entanto, ainda é incerto se a inativação dos linfócitos através do tratamento com o Ibrutinib poderia interferir no desenvolvimento da endometriose em humanos. Novos estudos podem ajudar a esclarecer o papel dos linfócitos B e seus subtipos na endometriose e contribuir para o desenvolvimento de novas estratégias terapêuticas |