Avaliação da efetividade e segurança de uma nova formulação de Cold Cream em pacientes portadores de dermatite atópica

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2019
Autor(a) principal: Martin, Bianca Aparecida
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/60/60137/tde-18122019-163757/
Resumo: A dermatite atópica (DA) é uma inflamação crônica da pele que geralmente provoca prurido intenso e lesões eczematosas. A ausência de tratamentos seguros e eficazes faz com que o tradicional Cold Cream, creme água-em-óleo composto por cera de abelha e bórax seja usado na prática clínica para aliviar os sintomas da DA. São poucos, no entanto, os estudos científicos que comprovam sua eficácia. Além disso, sua formulação oficinal, o Cold Cream Farmacopeico, apresenta baixa estabilidade. O objetivo deste trabalho foi preparar e caracterizar formulações de Cold Cream estáveis e entender sua contribuição no tratamento da DA. Para tanto, o impacto da pureza da cera de abelha que compõe os cremes nas características mecânicas, de textura e reológicas foi investigado. Com a identificação de componentes da própolis verde na cera de abelha bruta, suas propriedades anti-inflamatórias foram avaliadas in vitro e comparadas àquelas de um extrato de própolis verde padronizado. O efeito do uso do Cold Cream, adicionado ou não de própolis na mesma concentração que a presente na cera de abelha bruta, na qualidade de vida, gravidade da doença e hidratação da pele de pacientes com DA do Hospital das Clínicas da FMRP-USP (CAAE 83521418.5.0000.5403) também foi estudado. A identificação dos componentes majoritários das ceras de abelha bruta e purificada foi realizada por CG/MS. Componentes característicos da própolis verde foram separados por HPLC na cera bruta, e o artepelin C, marcador da própolis, quantificado. O tratamento de cultura de macrófagos (AMJ-2), estimulados com LPS, com 6,25 a 25 µg/mL de extrato metanólico da cera de abelha bruta, relativos a 3,5 a 14 ng/mL de artepelin C, resultou na redução significativa dos níveis de IL-6 e TNF-α, sugerindo um efeito anti-inflamatório do extrato da cera de abelha bruta. Cremes preparados com estabilizantes e a cera de abelha bruta (Cold Cream B.) ou purificada (Cold Cream P.), esta última acrescida ou não de 2,3 mg/100 g de própolis verde (Cold Cream P. + Própolis), mantiveram suas características reológicas e organolépticas durante os 60 dias de armazenamento. O Cold Cream Farmacopeico, por outro lado, apresentou alterações no comportamento reológico e separação de parte da fase oleosa já após 30 dias. Esse Cold Cream, no entanto, também preparado com cera de abelha purificada, apresentou propriedades mecânicas e de bioadesão semelhantes às apresentadas pelos Cold Cream P. e Cold Cream P. + Própolis. O Cold Cream B., por sua vez, apresentou dureza e compressibilidade quase 3 vezes menores do que os cremes feitos com a cera purificada, além de maiores valores de coesividade, força e trabalho de bioadesão. No estudo clínico, o Cold Cream apresentou, de forma geral, capacidade de evitar a agudização da doença. A avaliação do conjunto de instrumentos aplicados para cada paciente sugeriu que a adição de uma pequena concentração de própolis no Cold Cream melhorou a qualidade de vida do paciente, hidratação e gravidade da doença.