Avaliação do efeito da Estratégia de Saúde da Família com e sem apoio matricial na prevalência e gravidade de transtornos mentais no município paulista de Ribeirão Preto: um estudo transversal

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2017
Autor(a) principal: Moscovici, Leonardo
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/17/17148/tde-23042018-112128/
Resumo: Objetivos: Avaliar o efeito da Estratégia de Saúde da Família (ESF) na atenção primária, com e sem apoio matricial (AM), na prevalência e gravidade de transtornos mentais (TM). Casuística e Métodos: O estudo foi dividido em duas fases. Na primeira fase (Fase 1), 20 estudantes de medicina foram capacitados em três encontros para aplicação do instrumento \"Mini - screening mental disorders (Mini-SMD)\" e para a coleta de dados sociodemográficos. Em seguida, eles receberam, após sorteio eletrônico, endereços residenciais aleatórios das três áreas do estudo - i.e., uma área com cobertura de saúde pela ESF com AM em Saúde Mental (SM), uma área com cobertura pela ESF sem AM e uma terceira área com cobertura pelo modelo de Unidade Básica de Saúde (UBS) tradicional. Na segunda fase (Fase 2), realizou-se um sorteio simples de 50% dos sujeitos da Fase 1 para confirmação diagnóstica e avaliação de gravidade de sintomas. Cinco profissionais de saúde com nível superior foram submetidas a treinamento de 20 horas para utilização dos instrumentos Mini International Neuropsychiatric Interview (MINI), MINI-TRACKING, Patient Health Questionnaire-9 (PHQ-9), General Anxiety Disorder-7 (GAD-7), Alcohol Use Disorders Identification Test (AUDIT) e Brief Psychiatric Rating Scale (BPRS). Essas profissionais de saúde, então, receberam os endereços e agendamentos dos pacientes para aplicação da entrevista MINI. Os pacientes com resultado positivo para algum diagnóstico no MINI foram, em seguida, submetidos à aplicação do(s) módulo(s) específico(s) do MINI-TRACKING e do PHQ-9 e/ou GAD-7 e/ou AUDIT e/ou BPRS. Resultados: Durante a Fase 1, 1.545 pessoas foram entrevistadas. As avaliações Mini-SMD positivas nas áreas de ESF sem AM, ESF com AM e UBS tradicional foram de 33,9%, 34,6% e 40,3%, respectivamente. O Odds ratio (OR) bruto dos resultados na comparação entre a ESF sem AM e UBS tradicional foi 0,76 (p=0,037). O OR foi ajustado para área, idade, escolaridade e nível socioeconômico (variáveis que apresentaram OR significativo), com resultado de 0,752 (p=0,042). A comparação entre o conjunto ESF com e sem AM versus UBS tradicional também mostrou tendência à menor número de TM nas áreas de ESF (OR Bruto=1,294; p=0,021; OR Ajustado=1,257; p=0,048). Na Fase 2 do estudo, 773 sujeitos foram aleatoriamente selecionados, e desses, 538 concordaram em participar. Nas áreas de ESF sem AM, ESF com AM e UBS tradicional, a avaliação MINI positiva se deu em 39,1%, 35,1% e 48,3%, respectivamente. O OR bruto dos resultados na comparação entre o conjunto ESF com e sem AM versus UBS tradicional foi 1,602 (p=0,012) e o OR ajustado para sexo, escolaridade e estado civil (variáveis com OR significativo) foi 1,523 (p=0,028). Na avaliação da influência da área de residência em função do tipo de cobertura de saúde sobre a gravidade dos TM diagnosticados, não foram observadas diferenças significativas. Conclusões: O presente estudo mostrou que o modelo específico de ESF avaliado (com e sem AM) associou-se significativamente com menor prevalência de TM quando comparado a uma área com assistência realizada por UBS tradicional. No tocante à gravidade de sintomas, não foram encontradas diferenças significativas entre as três áreas estudadas.