A blendtividade na formação de palavras: a derivação dos blends na interface entre morfologia, fonologia e pragmática

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2021
Autor(a) principal: Marangoni Junior, Cesar Elidio
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8139/tde-18062021-182351/
Resumo: Esta dissertação aborda casos de blending (namorido < namorado + marido), enquanto um processo de formação de palavras atuante na interface entre a morfologia, a fonologia e a pragmática, mostrando que uma análise completa do processo deve levar em conta todos estes tipos de informações. Assumindo um modelo híbrido de arquitetura da gramática (com base na Otimidade Distribuída de Trommer (2001)), defendemos que os blends são um subtipo dos compostos (cf. NÓBREGA, 2014; NÓBREGA; PANAGIOTIDIS, 2020) que se caracterizam pela presença de um morfema avaliativo em sua estrutura (cf. PRIETO, 2005; SCHER, 2013, 2016, 2018). Esse morfema é responsável pela leitura apreciativa existente na expressão resultante do processo. Sintaticamente, duas raízes já categorizadas estabelecem entre si uma dada relação sintática (subordinação, atribuição ou coordenação); em seguida, um morfema avaliativo se adjunge à estrutura sintática derivada até o momento e, por fim, um terceiro núcleo categorizador é concatenado à estrutura de maneira a configurar o domínio da composição. O morfema avaliativo presente na estrutura sintática não altera nem a especificação categorial das raízes categorizadas nem a relação sintática entre as raízes, sendo responsável unicamente por uma modificação sintático-semântica na codificação de uma leitura avaliativa por parte do falante acerca de uma dada entidade, de um dado objeto ou de uma dada situação. Esta especificação semântica ocasiona efeitos pragmáticos de jocosidade, afetividade e pejoratividade, por exemplo, revelando a posição do falante diante daquilo que ela diz. Fonologicamente, mostramos que a perda ou a sobreposição fonológica envolvida no processo se caracteriza como um epifenômeno (cf. BYE; SVENONIUS, 2012) da estrutura morfossintática enviada para a inserção de Vocabulário, onde são gerados candidatos a outputs que serão avaliados de acordo com restrições de boa formação morfofonológica, principalmente aquelas da Teoria da Correspondência (cf. BENUA, 1995).