Hipertextualidade: uma abordagem bakhtiniana sobre relações dialógicas entre enunciados em rede

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2012
Autor(a) principal: Machado, Flávia Silvia
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8142/tde-14032013-095711/
Resumo: Com base nos conceitos da obra de Bakhtin e seu Círculo, defendemos a tese de que a hipertextualidade pode ser considerada uma modalidade de relação dialógica entre enunciados colocados em rede, tanto em meio digital como impresso, por algum mecanismo de remissão. Considerando as coerções de cada meio e partindo do pressuposto de que a internet é capaz de abrigar um conjunto de esferas, selecionamos reportagens de divulgação científica da FSP e da FO, no período de 2000 a 2008, para compor o corpus da pesquisa. O modelo teórico-metodológico adotado foi formulado a partir da proposta de análise Metalinguística apresentada por Bakhtin em Problemas da Poética de Dostoiévski (2010 [1963]), e desenvolveu-se por meio dos seguintes passos: primeiramente, uma contextualização sócio-histórica dos enunciados; em seguida, a descrição e análise dos elementos constitutivos do gênero reportagem conteúdo temático, forma composicional e estilo e, finalmente, a observação das características dos meios impresso e digital. A análise revelou não somente os efeitos semântico-axiológicos encontrados nas relações dialógicas hipertextuais entre os enunciados, mas também levou-nos a delimitar os planos e mecanismos de remissão em que tais relações ocorrem. Os nós remissivos, que podem ser de natureza verbal ou verbo-visual, auxiliam na formação de uma complexa rede dialógica hipertextual no interior de um enunciado e na sua relação com enunciados externos, favorecendo a criação de diferentes conteúdos temáticos em cada meio. Em relação ao gênero discursivo, pudemos compreender que a sua conclusibilidade também difere de acordo com as relações dialógicas estabelecidas no jornal impresso ou no jornal digital. Enquanto a FSP admite reportagens mais extensas formadas por enunciados fragmentados ou mesmo pelo conjunto de vários enunciados, seja em sua dimensão verbal ou verbo-visual, os enunciados veiculados na FO possuem caráter mais autônomo, não retomando as mesmas relações dialógicas hipertextuais do jornal impresso.