Gestão na educação infantil: um estudo em duas creches do interior paulista

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2016
Autor(a) principal: Paluan, Marcella
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/59/59140/tde-19122016-221606/
Resumo: Este trabalho teve como objetivo analisar a estrutura de gestão da/na Educação Infantil em um município no interior paulista. Identificou-se, por meio dos dados construídos previamente pela pesquisa mais ampla realizada pelo Grupo de Estudos e Pesquisa de Políticas Educacionais para a Infância (GEPPEI) que abrange estudos em doze municípios pertencentes à microrregião do Estado de São Paulo, que o município em questão apresentava uma organização da estrutura de gestão da Educação Infantil bem diferenciada do convencional em que geralmente há um diretor e/ou coordenador por unidade. Esses dados prévios revelaram que no município E (preservação da identificação) havia uma divisão de unidades por diretoras que funcionava em sistema rotativo de visitas a essas unidades, tendo em vista que não poderiam estar em todas ao mesmo tempo e também sem a permanência em uma única unidade. Realizou-se uma pesquisa empírica, em uma abordagem qualitativa por meio de estudo de caso. Na primeira etapa do estudo, acompanhou-se quatro unidades, sendo duas creches e duas pré-escolas com o intuito de observar as práticas desenvolvidas por essas unidades, tendo em vista a não permanência das diretoras. Para a construção do texto final desta dissertação, percebeu-se a necessidade de concentrar as análises dos dados construídos em uma etapa da Educação Infantil, sendo assim optamos pelas creches. Tais dados foram construídos por meio de observações participantes, com a anotação em caderno de campo acerca das vivências acompanhadas. Em razão deste recorte da pesquisa, na segunda etapa do estudo, as entrevistas semiestruturadas foram realizadas nas duas creches com as famílias, professoras, funcionárias e diretora dessas duas unidades. As entrevistas também aconteceram no âmbito da Secretaria Municipal de Educação (SME) com a Secretária de Educação e Superintendente Administrativo da Educação. As análises dos dados construídos ao longo deste estudo revelaram que a creche, cuja diretora não estava presente diariamente, contava com uma funcionária da sua confiança que desempenhava, além das atividades previstas para a sua função, resolvia situações do cotidiano da unidade, mas recorrendo à diretora sempre que necessário. Tanto no caso da creche em que a diretora não estava presente diariamente quanto na que ela permanecia, foram observadas determinadas situações de desrespeito aos diretos das crianças. No segundo caso, não foram observadas intervenções por parte da diretora em relação às situações de desrespeito. Com base no referencial teórico utilizado acerca do princípio da gestão democrática e a especificidade do trabalho desenvolvido na Educação Infantil, foi possível concluir, por meio deste estudo, que os objetivos educacionais desta etapa eram pouco compreendidos mesmo entre os gestores da própria SME. Tal evidência interferia, consequentemente, na qualidade do trabalho desenvolvido nas creches observadas, independentemente da presença da diretora. Dessa forma, concluímos que a presença da diretora não representava a garantia dos direitos fundamentais das crianças, haja vista a forma de provimento do seu cargo - indicação do poder executivo - repercutindo assim em uma atuação fragilizada nas unidades que eram de sua responsabilidade. Quanto à gestão da SME, havia uma postura hierárquica, em que a gestão das unidades de Educação Infantil era tratada somente no âmbito da Secretaria e às diretoras cabia a execução dessas decisões nas unidades.