Constituição físico-química, celular e microbiológica do leite de búfalas (Bubalus bubalis) criadas no Estado de São Paulo

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2004
Autor(a) principal: Bastos, Paula Andréa de Santis
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/10/10136/tde-17042007-184153/
Resumo: O presente estudo objetivou estabelecer o padrão de referência dos constituintes físico-químicos e celulares do leite e identificar relações entre os valores desses elementos constituintes da secreção láctea de búfalas, criadas em São Paulo/BR. Para tanto foram utilizadas 98 búfalas adultas e lactantes, da raça Murrah, distribuídas em vários grupos experimentais, segundo os seguintes fatores de variabilidade: idade; fase da lactação; momento da ordenha e tipo de ordenha utilizada. Dessas búfalas foram colhidas 1.176 amostras de leite (de glândulas mamárias que não apresentavam sinais de processo inflamatório ou tivessem sido submetidas a tratamento intramamário). As amostras de leite foram submetidas aos seguintes exames: testes da caneca de fundo escuro e do CMT; determinação da concentração hidrogeniônica e da eletrocondutividade; bem como, determinaram-se os teores de cloreto; lactose; proteína; gordura e sólidos totais. Também, foram realizadas contagens de células somáticas, bem como, o isolamento e identificação de cepas bacterianas e, nos casos positivos realizaram-se o antibiograma. Os valores considerados como padrão de referência para o leite de búfalas, segundo as fases de lactação (inicial, intermediária e final) foram respectivamente: para o pH - 6,89; 6,85 e 6,9; para a eletrocondutividade - 3,82; 4,02 e 4,49 mS/cm; para os teores de cloreto - 18,21; 20,13 e 26,49 mg/dl; para os teores de gordura - 4,25; 3,70 e 3,56 g/dl; para os teores de proteína - 3,97; 4,03 e 4,5 g/dl; para os teores de lactose - 5,11; 5,08 e 4,81 g/dl; para os teores de sólidos totais - 14,55; 13,88 e 13,93 g/dl e para o número de células somáticas - 29.000; 29.000 e 16.000 cel/ml. Os resultados comprovaram que a fase de lactação influía sobre os valores do pH, eletrocondutividade, teores de cloreto, gordura, proteína, lactose, sólidos totais e número de células somáticas e que, os teores de gordura, proteína, lactose, sólidos totais e número de células somáticas sofreram influência do momento da ordenha (amostra colhidas antes e depois da ordenha), respectivamente, com os seguintes valores: 3,90 e 8,9 g/dl; 4,12 e 3,67 g/dl; 5,02 e 4,64 g/dl; 14,18 e 18,31 g/dl e; 29.000 e 56.000 cel/ml. A análise dos resultados permitiu constatar, que o tipo de ordenha influiu na eletrocondutividade, no número de células somáticas e nos teores de gordura e proteína do leite, sendo os resultados nas amostras das búfalas submetidas à ordenha manual ou mecânica, respectivamente, para: eletrocondutividade - 3,89 e 4,14 mS/cm; número de células somáticas - 22.000 e 32.000 CS/ml; teores de gordura - 4,47 e 3,62 g/dl e; para proteína - 3,77 e 4,29 g/dl. Ao se considerar a idade das búfalas verificou-se que, com o progredir da idade a eletrocondutividade e os teores de cloreto aumentavam, mas, em contra posição os teores de lactose diminuíram; não se observou alteração significativa nos valores de gordura, sólidos totais, proteína e pH lácteos. Os escores do CMT (negativo, traços, 1+ e 2+), aumentavam, gradativamente, com o evoluir da fase da lactação e, a eletrocondutividade, o teor de cloreto e o número de células somáticas aumentaram de forma, diretamente, proporcional ao aumento do escore do CMT; porém, ao contrário, o teor de lactose diminuía. A variação do escore do CMT não foi acompanhada de modificações significativas dos teores lácteos de gordura, proteína e de sólidos totais. As bactérias isoladas com maior freqüência foram as dos gêneros: Corynebacterium sp (28,5%); Staphylococcus sp (24,7%); Streptococcus sp (15,8%) e; Actinomyces sp (11,4%). O número de isolamentos bacterianos aumentou, significativamente, com o evoluir da lactação. Entretanto, o momento da ordenha não influiu no número de isolamentos e evidenciou-se maior freqüência de isolamentos nas glândulas posteriores do úbere. No antibiograma das cepas de bactérias isoladas foram utilizados os seguintes antibióticos e quimioterápicos: cefalotina; cefoperazone; cloranfenicol; cotrimoxazol; enrofloxacina; estreptomicina; gentamicina; neomicina; nitrofurantoína; oxacilina; penicilina e tetraciclina. Entre os Corynebacterium sp, 47 cepas (61,03%) foram resistentes à nitrofurantoína; 10 (12,9%) à oxacilina; 8 (10,38%) à estreptomicina e; 7 (9,09%) à tetraciclina; sendo sensíveis aos demais antimicrobianos testados. Os Staphylococcus sp demonstraram, em 12 (26,66%) dos casos, resistência a nitrofurantoína; em 2 (4,44%) à tetraciclina e; foram sensíveis aos demais antimicrobianos; os Streptococcus sp, com exceção de 7 (25%), resistentes à ação da nitrofurantoína, foram sensíveis aos demais antimicrobianos utilizados.