Explorando legacy P com plantas de cobertura a longo prazo: resposta das culturas, dinâmica do P e estequiometria enzimática do solo

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2023
Autor(a) principal: Luz, João Henrique Silva da
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/11/11140/tde-03082023-153434/
Resumo: O uso frequente de fertilizantes fosfatados resulta no acúmulo de P nos solos (também conhecido como legacy P) em formas orgânicas (Po) e inorgânicas (Pi). No entanto, grande parte destas formas de P não estão disponíveis para absorção pelas culturas comerciais. O cultivo de plantas de cobertura, na entressafra, pode aumentar a disponibilidade de P para as culturas comerciais, por possuírem diferentes estratégias de aquisição de P que podem acessar o legacy P do solo. O objetivo foi investigar o efeito das plantas de cobertura explorando o legacy P associadas à fontes fosfatadas no rendimento de grãos, ciclagem de nutrientes, atributos químicos, dinâmica de P e estequiometria enzimática do solo a longo prazo, com sete safras sob adubação fosfatada e cinco safras explorando o legacy P. Os tratamentos foram compostos por cinco plantas de cobertura de inverno e um pousio, associadas com duas fontes fosfatadas (superfosfato simples (SPS), fosfato natural (FN)) e sem entradas de P (Sem-P). As plantas de cobertura impulsionaram as respostas em produtividade de grãos em safras com e sem aplicação de P, no entanto as maiores respostas foram explorando o legacy P. Nesta última, tremoço-branco com fosfato natural aumentou em 25% a produtividade de grãos. A maior absorção de P pelas plantas de cobertura ocorreu com nabo forrageiro e aveia preta, para N foi tremoço-branco, nabo forrageiro e aveia preta, no entanto, o K, no geral, foi dependente da produção de biomassa das plantas de cobertura. As plantas de cobertura reduziram o P-resina e K trocável do solo, especialmente com fosfato natural, mas isto não refletiu diretamente em perdas de produtividade de grãos. Os reservatórios de P lábil foram compostos, em média, de 83, 69 e 52% por Po lábil para Sem-P, SPS e FN, respectivamente. Em Po lábil houve diferença das plantas de cobertura apenas em Sem-P (12 anos explorando legacy P), onde ervilhaca, azevém e tremoço foram inferiores ao pousio em 24, 17 e 14%. Na atividade da fosfatase ácida, o tremoço-branco foi superior às outras plantas de cobertura e se destacou na fonte SPS, sendo 46% superior ao pousio. O efeito das plantas de cobertura na dinâmica de P foi modulado principalmente pelas fontes fosfatadas devido as diferenças no P total aplicado. Nabo forrageiro e aveia preta foram as espécies que mais esgotaram as frações de P menos lábeis. As plantas de coberturas regularam a homeostase microbiana prevista por estequiometria enzimática em cenários que exploram o legacy P, no entanto, esta resposta pode não ser observada conforme o modelo aplicado. Sempre ocorreu limitação de C pela microbiota, embora nabo forrageiro, aveia preta e centeio reduziram esta limitação. Mesmo sobre alto teor de P disponível, ervilhaca manteve a homeostase de N/P e tremoço sempre favoreceu a limitação de P, com estímulos a atividade enzimática de P-aquisição. Isto não ocorreu para gramíneas, onde o gradiente de P disponível favoreceu limitação de N, semelhante os pousios.