Ativação in vitro de neutrófilos via CR3: implicações da variante da cadeia do CD11b (rs1143679) para as interações com o endotélio

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2016
Autor(a) principal: Canicoba, Nathália Cristina
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
CR3
Link de acesso: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/60/60135/tde-23052018-154005/
Resumo: O neutrófilo é o leucócito predominante na circulação sanguínea. Por ser um fagócito profissional e conter grânulos ricos em enzimas digestivas, ele representa a primeira linha de defesa contra infecções. A principal proteína dos seus grânulos é a mieloperoxidase (MPO), a qual contribui para a atividade microbicida do neutrófilo por mediar a geração de moléculas oxidantes que degradam inúmeras estruturas biológicas dos patógenos, mas que podem também agredir o próprio hospedeiro. A ação deletéria da MPO está relacionada com processos inflamatórios que causam danos ao endotélio e sustentam a inflamação. A liberação da MPO do neutrófilo diretamente sobre o endotélio depende da interação célula-célula mediada pela integrina CD11b/CD18 (receptor tipo 3 para o complemento, CR3) expressa nos neutrófilos e pela molécula de adesão intercelular (ICAM-1) no endotélio, sugerindo o envolvimento do CR3 em no dano tecidual na inflamação crônica. Um polimorfismo no gene ITGAM (integrin, alpha M), que codifica a integrina CD11b (αM) do CR3 influencia a interação do CR3 com seus ligantes e prejudica a adesão celular. Há poucos estudos funcionais sobre esta variante, sendo a maioria em células transfectadas. O objetivo deste trabalho foi avaliar as implicações da variante da cadeia CD11b do CR3 para as interações neutrófilo-endotélio. Os genótipos para identificação das variantes alélicas foram determinados por reação em cadeia da polimerase; as células endoteliais (CE) extraídas da veia do cordão umbilical foram expostas aos neutrófilos expressando as variantes 77R e 77H, os quais foram estimulados ou não com Zimosan, imunocomplexos com F(ab\')2 - ambos opsonizados com soro humano normal (SHN) e tratados com soro humano inativado (SHI) - e o formil-metil-leucil-fenilalanina (fMLP); a agressão às CE foi avaliada por medida da peroxidação lipídica pelo método de substâncias reativas ao ácido tiobarbitúrico; a transferência de MPO dos neutrófilos para as CE foi analisada por citometria de fluxo com anticorpo monoclonal específico; a avaliação da ativação endotelial foi avaliada pela liberação de ICAM-1 por ensaio imunoenzimático. Os resultados mostraram que i) os neutrófilos com a variante 77H, sem estímulos, causaram maior agressão ao endotélio, com maior peroxidação lipídica, quando comparada àquela de neutrófilos com a variante R77; ii) a peroxidação lipídica foi maior quando os neutrófilos responderam aos estímulos opsonizados com SHN; iii) os neutrófilos com a variante 77R produziram maior peroxidação lipídica com o estímulo F(ab\')2/SHN comparados aos neutrófilos com 77H; iv) a transferência de MPO para as células endoteliais é dependente da disponibilidade do CR3 e do contato com o neutrófilo; v) os estímulos dependentes do CR3 promoveram um aumento da ativação endotelial medida pela concentração de ICAM-1 solúvel; a remoção do complemento (SHI) minimiza esta ativação; vi) o modelo permitiu observar a dependência do CR3 para todas a funções estudadas. Os resultados refletem a diversidade de mecanismos envolvidos nas interações estudadas e apontam para a necessidade do refinamento dos modelos experimentais para uma compreensão mais clara. A partir deste modelo podemos pensar em delineamentos envolvendo neutrófilos de pacientes com LES, bem como estudar potenciais drogas moduladoras das respostas envolvendo o CR3.