Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: |
2019 |
Autor(a) principal: |
Silva Neto, Reinaldo Dias da |
Orientador(a): |
Não Informado pela instituição |
Banca de defesa: |
Não Informado pela instituição |
Tipo de documento: |
Tese
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Tipo de acesso: |
Acesso aberto |
Idioma: |
por |
Instituição de defesa: |
Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
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Programa de Pós-Graduação: |
Não Informado pela instituição
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Departamento: |
Não Informado pela instituição
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País: |
Não Informado pela instituição
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Palavras-chave em Português: |
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Link de acesso: |
http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/58/58133/tde-03092019-080617/
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Resumo: |
As restaurações temporárias são essenciais para a manutenção da assepsia após o tratamento dos canais. O objetivo deste estudo foi avaliar a atividade antimicrobiana dos materiais restauradores temporários por meio do teste de difusão em ágar, além da quantificação do biofilme formado sobre as restaurações e dos micro-organismos presentes no sistema de canais radiculares, após desafio ácido em meio bucal. Foram testados 4 materiais temporários: ionômero de vidro de alta viscosidade (CIV AV; Ketac Molar/ 3M), ionômero de vidro fotoativado (CIV foto; Riva Light Cure/SDI), óxido de zinco sem eugenol (OZ; Coltosol/Coltene) e óxido de zinco com eugenol (OZE; IRM/Dentsply). Para o estudo in vitro, foram confeccionados discos de cada material, além de discos de papel embebidos em clorexidina 0,12% (CHX controle positivo; Periogard, Colgate). Culturas bacterianas dos micro-organismos Streptococcus mutans (ATCC 25175), Enterococcus faecalis (ATCC 4083), Enterococcus faecalis (cepa clínica isolada do participante da pesquisa) e Candida albicans (ATCC 1023) foram cultivadas em caldo BHI. Quatro discos de cada material foram distribuídos nas placas de Petri com Muller Hinton ágar, em duplicata. Após 30 dias, foi mesurada a zona de inibição do material (mm) para cada micro-organismo. Para o estudo in situ, foram utilizadas 70 raízes de incisivos centrais inferiores humanos com 10 mm. Foi realizado o preparo biomecânico dos canais até o instrumento #40.02, esterilização em autoclave e obturação com AH Plus e cones de guta percha. Cinquenta e seis raízes foram divididas em 4 grupos experimentais e receberam um dos quatro materiais testados. Nas 14 raízes remanescentes, não se utilizou material sobre a obturação (controle negativo). Catorze participantes foram submetidos à moldagem das arcadas dentais e foram confeccionados dispositivos acrílicos palatinos com 5 nichos (4 raízes experimentais e 1 raiz controle). As raízes foram fixadas com cera e tela para favorecer o acúmulo de biofilme sobre as restaurações. Durante 28 dias, os participantes utilizaram o dispositivo e foram orientados a gotejar solução de sacarose 20%, 6x ao dia, sobre as amostras. Ao final do período, 11 participantes concluíram o experimento. As raízes foram removidas dos dispositivos e analisou-se: 1) a quantidade de biofilme formado sobre as raízes (mg); 2) a contagem total dos micro-organismos viáveis (UFC) e a prevalência dos estreptococcus do grupo mutans (EGM) e contagem de Enterococcus spp. (m-Enterococcus) presentes nos canais radiculares (UFC/mL). Os dados do teste de difusão em ágar apresentaram distribuição não-normal e foram analisados pelo teste de Kruskal-Wallis (=0,05). Verificou-se que, independentemente do micro-organismo, a maior zona de inibição foi encontrada nos discos embebidos com CHX (15,45 ± 5,76 mm), sem diferença significante do OZE (8,99 ± 7,29 mm). As menores zonas de inibição foram encontradas para CIV foto (2,21 ± 0,40 mm b), CIV AV (2,42 ± 0,63mm b) e OZ (2,49 ± 0,39mm), todos sem diferença significante do OZE. Na comparação isolada, todos os materiais apresentaram baixa atividade antimicrobiana contra cepas padrão de S. mutans e E. faecalis ATCC. Para a cepa clínica isolada de E. faecalis do paciente, o OZE apresentou maior atividade antimicrobiana que a CHX. Para C. albicans, o OZE apresentou resultados similares a CHX, e os demais foram inferiores e iguais entre si. No estudo in situ, os dados referentes ao biofilme apresentaram distribuição não-normal (Kruskall-Wallis e Dunn, p<0,05). O menor acúmulo de biofilme foi verificado nas raízes seladas com CIV foto (16mg a) e CIV AV (16mg a), e ambos não diferiram estatisticamente do OZE (48mg ab) e OZ (41mg ab). As raízes sem material temporário apresentaram maior acúmulo de biofilme (90mg b), também sem diferença do OZE e OZ. Os dados para a contagem dos micro-organismos apresentaram distribuição normal (p>0,05) e foram analisados por Análise de Variância a dois critérios (material x terços) e teste de Tukey. Para a contagem geral, houve maior quantidade de micro-organismos nos terços cervical (2,44 ± 0,65 b) e médio (2,11 ± 0,71b) (p>0,05) e a menor foi encontrada no terço apical (1,52 ± 1,16 a) (p<0,05). Na contagem de S. mutans, verificou-se que as raízes seladas com OZE (1,06 ± 1,06 a) apresentaram menor quantidade de micro-organismos (p<0,05), similares ao CIV foto (1,65 ± 0,93 ab) e CIV AV (1,53 ± 0,85 ab). O OZ propiciou maior penetração de micro-organismos no canal (1,78 ± 0,92 b), sem diferença significante dos CIVs e do controle sem restauração (1,86 ± 1,11 b). Para o E. faecalis, o OZE (0,75 ± 0,70 a) apresentou menor quantidade de micro-organismos (p<0,05), sem diferença significante do CIV foto (1,29 ± 1,11 ab), CIV AV (1,27 ± 1,06 ab) e OZ (1,00 ± 1,13 ab). O controle negativo (sem restauração) mostrou maior acúmulo de micro-organismos no canal (1,72 ± 1,21 b). Concluiu-se que material temporário OZE apresentou maior ação antimicrobiana in vitro, embora o CIV fotoativado e o CIV de alta viscosidade demostraram expressiva inibição na formação de biofilme in situ. As restaurações temporárias com OZE, CIV foto e CIV de alta viscosidade reduziram o crescimento de micro-organismos no interior dos canais quando expostos ao desafio ácido em meio bucal |