Micropolítica do processo de trabalho: o protagonismo dos trabalhadores de saúde no Pacto pela Saúde

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2010
Autor(a) principal: Gomes, Tânia Silva
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/22/22133/tde-04082010-151009/
Resumo: O presente estudo buscou compreender a micropolítica do processo de trabalho a partir da implicação e percepção dos trabalhadores de saúde, enquanto agentes protagonistas na efetivação do Pacto pela Saúde. Apoiamo-nos no referencial teórico do processo de trabalho em saúde. O cenário de estudo constituiu-se por dez USF de um município do Estado de São Paulo. O estudo foi realizado no mês de dezembro de 2009, com 20 trabalhadores de saúde, sendo 03 vinculados à coordenação da Rede de Atenção Básica e 17 vinculados à coordenação da equipe Saúde da Família (médico, enfermeiro e dentista). Utilizamos a abordagem qualitativa, técnica de coleta de dados a entrevista semiestruturada e método de análise de dados a análise de conteúdo, onde discorremos quatro unidades temáticas: Apresentando os trabalhadores de saúde: atores que protagonizam o Pacto pela Saúde; Possibilidade de aproximação para os trabalhadores de saúde com o Pacto pela Saúde; O reflexo dos elementos do Pacto pela Saúde no processo de trabalho: a percepção dos trabalhadores de saúde; A contribuição da prática na perspectiva do Pacto pela Saúde: o sentir-se parte da obra. Os resultados mostraram que o Pacto ancora o processo de trabalho, quando nos relatos das cenas do dia-a-dia trazidos pelos entrevistados surge a expressão das prioridades e metas pactuadas pelo município e que os trabalhadores vinculados à coordenação da Equipe de Saúde da Família, apresentaram a percepção de que o fazer do dia-a-dia do serviço de saúde é defender o SUS, calcado no crer de seu próprio trabalho, conhecimentos superficiais relativos à abordagem direta quanto ao Pacto e percepção de distanciamento na elaboração do Pacto frente às realidades do cotidiano dos serviços. Isso se justifica pelo processo de construção das metas municipais ainda se darem numa lógica setorizada, por programas verticais, sem a participação dos atores que desenvolvem as ações previstas e, provavelmente, pelo momento histórico, relativamente incipiente, do produto do Pacto no espaço micro. Se a percepção dos trabalhadores de saúde em relação ao Pacto é frágil, isso não necessariamente acontece com a sua implicação com a construção da obra, quando encontramos momentos onde a Equipe Saúde da Família ressignifica a meta pactuada, para fazer sentido a partir das realidades singulares de cada equipe. O trabalhador de saúde pode assumir a autoria de sua obra, e de seu empenho com a obra, ao interrogar o mundo de seu trabalho, possibilitando o entendimento da intencionalidade do trabalho no plano ético e político. Este trabalho nos permitiu pensar, analisar e revelar a idéia de que muito ainda precisa haver diálogo sobre o Pacto pela Saúde como instrumento de gestão, a fim de aproximar os trabalhadores de saúde da construção da obra.