Determinantes da sobreposição da área de vida no roedor Akodon montensis: implicações para os sistemas territoriais e de acasalamento

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2016
Autor(a) principal: Marin, Gabriela de Lima
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/41/41134/tde-28092016-115139/
Resumo: Territórios resultam de competição por interferência que leva ao uso exclusivo do espaço. A territorialidade então depende da variação espaço-temporal na disponibilidade de recursos e está, geralmente, associada ao sistema de acasalamento. A defesa de território deve ocorrer quando os benefícios superam os custos, e essa relação custo-benefício deve ser afetada por fatores ecológicos (disponibilidade de recursos e densidade populacional), assim como variações individuais (sexo e maturidade) e sazonais (época reprodutiva) que determinam quais e quando os recursos são importantes. Embora as estratégias territoriais dos indivíduos devam variar com as condições ambientais, potencialmente levando a diferentes sistemas territoriais⁄ de acasalamento em diferentes populações, estudos prévios sobre territorialidade geralmente avaliam somente uma população e⁄ou consideram condições ambientais relativamente homogêneas. Utilizando um banco de dados extenso de captura-marcação-recaptura em 9 populações de um roedor generalista (Akodon montensis), e usando a sobreposição da área de vida como proxy de não-territorialidade, pretendemos entender os determinantes ecológicos, individuais e sazonais das estratégias territoriais dos indivíduos, e avaliar se a variação nas estratégias individuais pode levar a uma transição entre sistemas territoriais⁄ de acasalamento. Como previsto, identificamos que a sobreposição das áreas de vida foi maior entre machos do que entre fêmeas e aumentou com a densidade populacional. Também aumentou de machos imaturos para machos maduros, mas diminuiu de fêmeas imaturas para fêmeas maduras, sugerindo que a diferença na territorialidade entre os sexos é definida após a maturidade sexual. O efeito negativo da disponibilidade de fêmeas na sobreposição da área de vida entre machos foi mais forte na época reprodutiva, como esperado. Mais importante, no entanto, o efeito da disponibilidade de fêmeas na sobreposição da área de vida foi fortemente dependente do sexo. À medida que a disponibilidade de fêmeas aumenta, a sobreposição da área de vida aumentou entre fêmeas, mas diminuiu entre machos, indicando que quando as fêmeas deixam de defender território (e ficam mais agregadas) devido ao aumento da competição entre elas, os machos passam a defender território. Nosso estudo ressalta que as estratégias territoriais são muito variáveis entre indivíduos, o que é consistente com a plasticidade ecológica e fisiológica em Akodon montensis reportada em outros trabalhos, e sugere que diferenças suficientes nas condições ambientais podem levar à transição entre sistemas territoriais⁄ de acasalamento