Avaliação da expressão de genes e miRNAs relacionados aos mecanismos de reparo ao dano do DNA em pacientes com leucemia mieloide crônica ao diagnóstico e na crise blástica

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2020
Autor(a) principal: Nardinelli, Luciana
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/5/5167/tde-22092021-115923/
Resumo: A leucemia mieloide crônica (LMC) é caracterizada pela translocação (9;22) que dá origem ao gene quimérico BCR-ABL. Este gene codifica uma proteína com atividade tirosina quinase p210 constitutivamente ativa. Os três mecanismos envolvidos na patogênese da LMC são o aumento da proliferação celular, alteração da adesão celular ao estroma e matriz medular e inibição da apoptose. A introdução dos inibidores de tirosina quinase (ITQ) mudou profundamente o curso natural da LMC, reduzindo drasticamente o risco de progressão para a crise blástica, porém uma parcela dos pacientes progride mesmo com o tratamento sucessivo com diferentes drogas e o manejo desses pacientes continua sendo um grande desafio para os clínicos. Embora a proteína BCR-ABL1 seja o principal agente na patogênese da LMC, várias outras vias podem contribuir para a progressão da doença. O acúmulo de anormalidades cromossômicas e mutações é uma característica da progressão da LMC e são mais frequentes nos pacientes na crise blástica do que nos em fase crônica e podem ocorrer tanto pelo aumento da taxa de dano ao DNA como pela alteração das vias de reparo e expressão de miRNAs, levando as células a um quadro de instabilidade genética. Objetivo: Avaliar a expressão de genes e miRNAs relacionados com as vias de reparo do dano ao DNA em pacientes com LMC ao diagnóstico (LMC-FC ao diagnóstico), na crise blástica (LMC-CB) e em doadores saudáveis e avaliar o potencial destes como possíveis marcadores para a progressão da LMC e para a resposta ao tratamento com inibidores de tirosina quinase. Casuística e métodos: As expressões dos genes GADD45G, ATM, TP53, RAD9A e LIG1 e dos miRNAs miR-17-5p, miR-34a, miR-150, miR-155, miR-221 e miR-222 foram avaliadas em 90 amostras sendo 58 de pacientes com LMC em fase crônica ao diagnóstico, 17 de pacientes como LMC em crise blástica e 15 amostras de doadores saudáveis pela técnica de RT-QPCR utilizando-se o sistema Taqman de sondas de hibridização e quatificação relativa 2-Ct. Resultados: Os resultados deste estudo mostraram que tanto a expressão de genes envolvidos no sistema de reparo como miRNAs estão alterados nas amostras de pacientes em crise blástica. A expressão dos genes ATM, TP53 e ERCC1 apresentam fold change de 1,34 (p = 0,030), 1,58 (p = 0,007) e 0,65 (p < 0,000), respectivamente, quando comparamos amostras de pacientes com LMC-FC ao diagnóstico e amostras de pacientes LMC-CB. A expressão dos miRNAs também apresentou alteração de expressão, especialmente do miR-17-5p, miR-34a e miR-155, com fold change de 1,76 (p < 0,000), 0,098 (p < 0,000) e 0,25 (p < 0,000) respectivamente. A expressão do gene ERCC1 e do miR-155 apresentaram correlação com a sobrevida livre de eventos e a do gene ATM e miR-150 apresentaram correlação com a resposta molecular aos 6 e 12 meses de tratamento com ITQ. Conclusões: A expressão de diferentes genes moduladores da resposta ao dano DNA, como ATM e TP53 estão alteradas nos pacientes com LMC-CB, prejudicando a cascata de sinalização dependente desses genes. A maior expressão do gene ERCC1 contribui para o surgimento de alterações cromossômicas adicionais através do mecanismo de anelamento de fita simples podendo aumentar a ocorrência de alterações cromossômicas adicionais. Já a maior expressão do miR-155 contribui para a redução do mecanismo de pareamento incompatível, reduzindo a expressão dos genes MLH1, MSH2 e MSH6 podendo ocasionar aumento do número de mutações como por exemplo, as mutações do domínio tirosina quinase. Além disso, a maior expressão do 24 gene ERCC1 e do miR-155 podem ser utilizados como marcadores preditivos de surgimento de eventos e a maior expressão do gene ATM e miR-150, como marcadores da resposta molecular ao tratamento com ITQ aos 6 e 12 meses