Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: |
2023 |
Autor(a) principal: |
Carvalho, Jeferson Silva |
Orientador(a): |
Não Informado pela instituição |
Banca de defesa: |
Não Informado pela instituição |
Tipo de documento: |
Tese
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Tipo de acesso: |
Acesso aberto |
Idioma: |
por |
Instituição de defesa: |
Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
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Programa de Pós-Graduação: |
Não Informado pela instituição
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Departamento: |
Não Informado pela instituição
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País: |
Não Informado pela instituição
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Palavras-chave em Português: |
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Link de acesso: |
https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/10/10136/tde-02082023-143639/
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Resumo: |
O vírus do Maedi-visna (MVV) e da artrite encefalite caprina (CAEV) são atualmente denominados como lentiviroses de pequenos ruminantes (LVPR). É uma enfermidade viral caracterizada por alta variabilidade genética e longo período de incubação, afetando negativamente a ovinocaprinocultura. O objetivo do estudo foi determinar a ocorrência dos diferentes genótipos de LVPR nos rebanhos caprinos e ovinos do Brasil e relacionar com os achados clínicos. Foram coletadas amostras de sangue de 708 animais (236 ovinos e 472 caprinos) em 21 rebanhos dos Estados de Pernambuco e São Paulo. O diagnóstico sorológico foi determinado pelas técnicas de imunodifusão em gel ágar (AGID - Biovetech Kit®, Recife, PE, Brasil) e/ou ELISA indireto (Eradikit™ SRLV, IN3 Diagnostics, Torino, Itália). Um questionário com perguntas fechadas e ficha de exame físico foi aplicado em cada propriedade com a finalidade em obter informações voltadas aos parâmetros de manejo e saúde dos animais, respectivamente. Todas as amostras soropositivas foram selecionadas para a realização do diagnóstico molecular. O DNA proviral foi primeiramente analisado por um PCR hemi-nested (1.3 kb gag-pol), e as amostras com resultados negativos foram testadas pelo PCR nested (0.8 kb gag-pol). As amostras positivas ao PCR hemi-nested ou PCR nested foram também submetidas ao segundo PCR nested (pol 1.2 kb). Os fatores de risco foram determinados por regressão logística binária por análise univariada pelo teste Qui-quadrado de Pearson ou Exato de Fisher, considerado como variável dependente a soropositividade para LVPR. As variáveis sem ausência de colinearidade e com p≤0,2 foram selecionadas e incluídas no modelo de regressão logística multivariada. Foi observada uma soropositividade de 25,0% (118/472) em caprinos e 1,3% (03/236) em ovinos, sendo que 47,3% (10/21) dos rebanhos apresentaram pelo menos um animal soropositivo. A criação consorciada (odds ratio= 6,35; IC95%= 3,67-11,01; p= 0,001), raça Saanen (odds ratio=8,37; IC95%=2,45- 28,61; p=0,001) e presença de animais com artrite (odds ratio=6,60; IC95%= 2,43-17,84; p=0,0001) foram identificadas como fatores de risco associados com a ocorrência de LVPR, enquanto que a prática de desinfecção de utensílios perfurocortantes (odds ratio=0,145; IC95%= 0,084-0,249; p=0,001) foram considerados como fatores de proteção para a doença. De 121 amostras soropositivas, apenas 42 foram positivas pelo PCR, o que pode ser explicado por falhas na amplificação viral provavelmente devido a variabilidade genética de cepas circulantes locais e a baixa carga proviral em animais assintomáticos. No ELISA Eradikit Genotyping, 21 (72,4%) amostras de soro foram classificadas como genótipo B e 8 (27,6%) foram indeterminadas. Ressalta-se a importância da avaliação futura de um maior número de animais pela sorotipagem, uma vez que essa técnica auxilia na detecção do genótipo nos rebanhos presentes nas diferentes regiões geográficas do Brasil. O subtipo B1 foi identificado por genotipagem em quatro caprinos e a possibilidade da ocorrência do subtipo A1 em ovino que apresentava histórico de desconforto respiratório, porém há a necessidade de sequenciamento de outras regiões do gene gag e pol para sua confirmação. Os resultados do presente estudo evidenciaram a ampla disseminação de focos de infecção para LVPR e a necessidade da aplicação de ferramentas laboratoriais de maior precisão para a ampla caracterização de genótipos circulantes em rebanhos caprinos e ovinos do Brasil, uma vez que essa etapa é fundamental para a seleção de antígenos para os testes de diagnóstico sorológico e aperfeiçoamento das estratégias de controle da doença. |