Mudanças na circulação oceânica na margem sudeste Brasileira nos últimos 130ka

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2024
Autor(a) principal: Mendes, Rafaela Nogueira Mendonça
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/21/21136/tde-27092024-145016/
Resumo: A Circulação de Revolvimento Meridional do Atlântico (AMOC) desempenha papel crucial no sistema climático global, influenciando a distribuição de calor e nutrientes nos oceanos. Projeções indicam um enfraquecimento da AMOC, com consequências significativas para o clima e a biodiversidade marinha. Isso torna ainda mais importante o conhecimento sobre as variações da AMOC durante eventos climáticos do passado. Análises sedimentológicas (sortable silt) e geoquímicas (razões entre metais, conteúdo de carbonato e isótopos estáveis de oxigênio e carbono em Cibicidoides spp. e Uvigerina dirupta) foram realizadas em um testemunho (CNT 312, comprimento 2,23m, profundidade da lâmina d\'água 1343m), coletado no talude intermediário da Bacia de Santos (24,75°S, 43,86°W), permitiram identificar mudanças na velocidade das correntes de fundo e associá-las às variações da AMOC. Durante o EIM 5, houve uma AMOC mais forte, indicada por altos valores de SS e uma velocidade de fluxo mais intensa, corroborando estudos anteriores. Foi observada uma queda de velocidade da corrente de fundo de 8cm s-1 na transição do EIM 5 e EIM 4, provavelmente associada a mudança na posição da interface das correntes de contorno. Durante o EIM 3 e EIM 2, houve uma alternância de valores altos e baixos em SS, associada a eventos Heinrichs. Picos de maiores valores na velocidade da corrente coincidiram com os eventos Heinrich, indicando um enfraquecimento da AMOC durante esses eventos, e evidenciando a gangorra bipolar entre o Hemisfério Norte e Sul. No Holoceno, as mudanças climáticas foram menos pronunciadas, mas ainda houve variações na velocidade de corrente associadas à intensidade da AMOC. A sedimentação hemipelágica foi dominante e dados de metais indicam que não ocorreram mudanças significativas de oxigenação e fonte de sedimentos. O testemunho CNT 312 fornece informações inéditas sobre as mudanças oceanográficas e climáticas na região ao longo do último ciclo glacial.