Trabalho e saúde: estudo com médicos do Sistema Único de Saúde de Jaguariúna (SP), na perspectiva da clínica da atividade

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2011
Autor(a) principal: Chiavegato Filho, Luiz Gonzaga
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/59/59137/tde-16052011-234034/
Resumo: As mudanças registradas nas últimas décadas no universo do trabalho afetaram distintas categorias de trabalhadores. Com a categoria médica não foi diferente. O grande desenvolvimento tecnológico, voltado para a medicina e para a indústria farmacêutica, acrescido do crescimento das empresas compradoras de serviços médicos, compõe um novo cenário que altera o processo, a organização e as relações trabalhistas desta categoria profissional, o que repercute nas condições de trabalho e na saúde dos trabalhadores. Tomando como referência este quadro de mudanças, esta pesquisa objetivou investigar as relações entre o trabalho e a saúde de médicos do Sistema Único de Saúde do município de Jaguariúna (SP). A pesquisa de caráter qualitativo teve como principal técnica de coleta de dados a entrevista (individuais abertas e baseadas no método de instrução ao sósia). Ao todo foram entrevistados quinze (15) médicos e dois (2) gestores da Secretaria de Saúde do município. Os dados obtidos revelaram que aqueles profissionais estão submetidos a um processo de trabalho, baseado no modelo de medicina tecnológica, que lhes tira a autonomia para gerir o próprio trabalho, os sobrecarregam e os expõem a situações de muita pressão. Tal condição faz com que os médicos não se sintam realizados e nem, algumas vezes, se reconheçam no próprio trabalho, além dos relatos de ausência de apoio dos colegas para execução das tarefas e reconhecimento por parte das chefias e pacientes, o que representa um empobrecimento da identidade profissional e a vivência de uma atividade de trabalho contrariada. De acordo com os depoimentos, as condições e a organização do trabalho, de maneira geral, interferem nas condições de vida e saúde daqueles médicos. Hipertensão e transtornos mentais comuns, sob a forma de stress, ansiedade e depressão foram os principais problemas de saúde que os entrevistados relataram sofrer, porém nem todos os identificaram como relacionados ao trabalho.