Fatores associados à presença de úlceras de pernas na coorte de doença falciforme, REDS III, Brasil, 2013-2017

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2021
Autor(a) principal: Souza, Valquíria Reis de
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/5/5167/tde-05042022-144421/
Resumo: A Doença Falciforme (DF) é uma doença hereditária comum no mundo. No Brasil aproximadamente 3000 crianças nascem com a doença a cada ano. A úlcera de perna é uma das complicações da Doença Falciforme. A proposta deste estudo foi realizar uma análise das variáveis, genótipo, tratamento atual de hidroxiureia (HU), histórico de uso de cigarro, histórico de consumo de álcool, escolaridade, trabalha atualmente, gênero, idade, cor da pele, estado civil, renda mensal, seguro de saúde, SNPs relacionados às úlceras de perna, terapia transfusional crônica atual, hemocentro, eventos clínicos, resultados laboratoriais, número de dias perdidos trabalho/escola por dor no último mês e suas relações com a presença de úlcera de perna em pessoas com Doença Falciforme maiores e menores de 18 anos e entre os diferentes genótipos. Este estudo visa buscar um melhor entendimento acerca da úlcera de perna nesse grupo de pacientes. Tratase de um estudo analítico observacional transversal, desenvolvido através do banco de dados do Estudo Multicêntrico da Doença Falciforme no Brasil REDSIII entre 2013 e 2017, com dados de quatro hemocentros públicos brasileiros: Fundação Hemominas (Minas Gerais), Fundação Hemope (Pernambuco) e Fundação Hemorio (Rio de Janeiro) e o ITACI Instituto de Tratamento do Câncer Infantil (São Paulo). O estudo foi desenvolvido em duas etapas: 1ª etapa - análise descritiva (frequência das variáveis qualitativas, média e mediana das idades) e análise comparativa (úlcera de perna x cada uma dessas variáveis); 2ª etapa - avaliação e comparação dos Single Nucleotide Polymorphisms (SNPs) de pacientes com e sem úlcera de perna. Analisamos os dados dos 2.779 pacientes inscritos na coorte de Doença Falciforme, do estudo REDSIII, comparando os que relataram história de úlcera de perna com os que nunca tiveram essa complicação em suas vidas. A prevalência de úlcera de perna em pacientes maiores de 18 anos com anemia falciforme foi de 21% (genótipos SS e Sb0- talassemia) vs. 4,5% em pacientes de outros genótipos. Nos pacientes menores de 18 anos essa prevalência foi de 0,3% entre pacientes com AF e não tivemos nenhum paciente nessa faixa etária, pertencente ao grupo dos outros genótipos com histórico de úlcera. A análise multivariada mostrou que quanto mais velho maior a chance de ter histórico de úlcera de perna (OR= 1,074 95%IC 1,059; 1,090, p < 0,001), o risco de histórico de úlcera é maior em indivíduos do sexo masculino (OR=1,760 95%IC 1,268; 2,450, p <0,001), morar no Rio de Janeiro é um fator protetor em relação a BH (OR= 0,409 95%IC 0,256; 0,646, p <0,001), pacientes brancos e pardos apresentam menores chances de ter úlcera de perna em relação aos pretos (brancos OR=0,199 95%IC 0,071; 0,472, p<0,001; pardos OR=0,588 95%IC 0,414; 0,835, p=0,002). Estar em regime de transfusão crônica, bem como apresentar bilirrubina indireta acima do percentil 75 e hemoglobina abaixo do percentil 25 são fatores de risco para histórico de úlcera de perna (transfusão crônica OR= 1,819 95%IC 1,310; 2,532, p > 0,001; bilirrubina indireta >75% OR=1,456 95%IC 1,008; 2,093, p<0,001; hemoglobina <25% OR=2,170 95%IC 1,520; 3,110, p<0,001). As análises genéticas sugeriram que o risco de úlcera de perna em pacientes com o SNP rs11800462, presente no cromossomo 1, cujo gene TNFRSF25 tem função de apoptose e homeostase linfocitária, é aumentado em 1,699 (95%IC 1,229; 2,349) em relação aos pacientes que não tem esse SNP. A UP apresentou maior prevalência em pacientes do sexo masculino, conforme o aumento da idade, em pacientes com marcador de hemólise presente, em regime de transfusão crônica, e uma menor prevalência em pacientes brancos e pardos quando comparado a pacientes pretos. Os níveis aumentados de bilirrubina e diminuídos da hemoglobina entre os pacientes com UP corroboram a hipótese que a hemólise está correlacionada com a ocorrência de UP. Estas características podem nos ajudar a identificar pacientes mais susceptíveis à UP e a implementar condutas preventivas nestes. Quanto à análise genética, um maior número de amostras assim comoo melhor entendimento desses SNPs, também podem colaborar para a identificação de pacientes susceptíveis à UP assim como a tratamentos futuros