Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: |
2008 |
Autor(a) principal: |
Bellenzani, Renata |
Orientador(a): |
Não Informado pela instituição |
Banca de defesa: |
Não Informado pela instituição |
Tipo de documento: |
Dissertação
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Tipo de acesso: |
Acesso aberto |
Idioma: |
por |
Instituição de defesa: |
Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
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Programa de Pós-Graduação: |
Não Informado pela instituição
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Departamento: |
Não Informado pela instituição
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País: |
Não Informado pela instituição
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Palavras-chave em Português: |
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Link de acesso: |
http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/47/47134/tde-26052009-103635/
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Resumo: |
A atividade turística em determinadas regiões brasileiras intensifica fluxos populacionais sazonais e gera impactos socioambientais, dentre eles agravos em saúde sexual e reprodutiva dos moradores das comunidades anfitriãs, o que exige respostas programáticas dos sistemas locais de saúde. Uma das estratégias de prevenção e promoção da saúde sexual que tem sido valorizada no debate sobre o tema constitui na maior incorporação de ações de prevenção ao Programa Saúde da Família (PSF), de acordo com suas diretrizes que prevêem a integração entre ações de prevenção, tratamento e reabilitação, de acordo com a realidade epidemiológica e sociocultural. Os objetivos do estudo foram: (1) descrever a vulnerabilidade social e programática às DST/HIV, gravidez não planejada e ao mercado sexual, entre jovens residentes em comunidades anfitriãs de turismo do litoral sul fluminense; (2) compreender de que modo os profissionais da rede básica/Programa Saúde da Família, da mesma localidade, reconhecem os impactos do contexto do turismo sobre a saúde do segmento jovem caiçara e quais as ações de prevenção que desenvolvem. O estudo de desenho qualitativo utilizou a observação etnográfica e entrevistas semi-estruturadas em profundidade realizadas com dois grupos de informantes: 12 jovens e 11 profissionais de saúde (dez da rede básica/PSF e um gestor da Coordenação Estadual de DST/Aids-RJ). RESULTADOS: O gênero, a cor/etnia, a geração, a nacionalidade e o status social mostraram-se fundamentais para a compreensão do cenário sexual e sociocultural, bem como das interações afetivo-sexuais entre jovens moradores locais e turistas. O cenário sexual amplia a vulnerabilidade dos (as) jovens às DST/HIV, à gravidez não-planejada e ao mercado sexual. A disponibilidade para as interações afetivo-sexuais entre jovens das comunidades e visitantes é marcada pelos estereótipos como turista, gringo (a), caiçara e nativo (a) e pelo intercâmbio de bens materiais e simbólicos que distinguem pessoas de fora e pessoas daqui. Os profissionais do PSF, por sua vez, reconhecem a vulnerabilidade específica da juventude; atribuem-na à pobreza, à escolaridade, à vida familiar, à promiscuidade e às características tradicionalmente atribuídas à fase da adolescência. A gravidez na adolescência e a multiplicidade de parceiros, significadas como promiscuidade são as problemáticas mais reconhecidas. Valorizam a prevenção e realizam ações educativas de base comunitária. Como obstáculos à qualidade da prevenção entre os jovens, o estudo identificou: 1) a compreensão pouco aprofundada do cenário sexual, das relações de gênero e das diferenças de status social enquanto aspectos relevantes ao planejamento das ações de promoção da saúde sexual e reprodutiva entre jovens caiçaras; 2) as abordagens utilizam prioritariamente o recurso das palestras que enfatizam aspectos biomédicos e a orientação como base em valores pessoais; 3) há dificuldades operacionais para disponibilizar insumos e planejar ações de prevenção no âmbito da rede básica/PSF; 4) a interlocução é incipiente entre Atenção Básica/PSF (municipal) e Programa Estadual de DST/Aids-RJ. CONCLUSÃO: A intensificação da economia associada ao turismo nas comunidades anfitriãs amplia a vulnerabilidade social ao sexo desprotegido e ao mercado sexual, atribuindo um caráter singular à desigualdade de gênero, cor/etnia e status social. Essas dimensões, invisíveis aos olhos dos profissionais do PSF, juntamente com o modelo de prevenção tradicional (palestras e orientações) ampliam a vulnerabilidade programática dos jovens às DST/Aids, gravidez não planejada e mercado sexual. Haja vista o repertório de atitudes e práticas dos profissionais ter se mostrado insuficiente para o manejo das tecnologias psicossociais que integram a dimensão sociocultural da sexualidade, recomenda-se fortemente o investimento na formação adequada dos profissionais do PSF para sofisticar suas ações de prevenção. |