Avaliação das funções visuais de recém-nascidos prematuros nos primeiros seis meses de vida

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2019
Autor(a) principal: Santos, Marcela Aparecida dos
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/47/47135/tde-19072019-155941/
Resumo: Os primeiros meses de vida são críticos para o desenvolvimento normal do sistema visual. Nesse período, os recém-nascidos desenvolvem habilidades visuais, algumas delas presentes ao nascimento, que serão refinadas durante a infância e utilizadas ao longo de toda a vida. A literatura mostra que em recém-nascidos as habilidades visuais, como fixação visual e acuidade visual, são desenvolvidas em períodos diferentes. Embora o desenvolvimento da acuidade visual seja semelhante entre recém-nascidos prematuros e termos quando se considera a idade corrigida para a prematuridade (IGc), ou seja, o tempo em semanas que o recém-nascido teria se nascesse com 40 semanas, não se sabe ao certo como se desenvolvem outras habilidades que dependem do sistema visual nesses recém-nascidos. O presente estudo, de caráter observacional, avaliou o desempenho visual através da medida do tempo de fixação visual para a face humana, baseado nos estímulos desenvolvidos por Fantz - face construída com padrões internos semelhantes à face humana (FC) e face desconstruída com padrões internos que não formavam face humana (FD), mas com contraste e luminância idênticos à face construída. Foram incluídos no estudo apenas os recém-nascidos com acuidade visual de resolução de grades, medida através dos cartões de Teller, dentro do esperado para a idade corrigida. Os participantes foram 50 recém-nascidos, 21 (idade média = 13,1 ± 7,1 semanas; peso ao nascimento = 3109 ± 468,9 g), nascidos a partir de 37 semanas de gestação (termo; idade média = 39,1 ± 1,2 semanas), e 29 (idade média = 11,1 ± 6,8 semanas; peso ao nascimento = 1544,3 ± 505,5g), nascidos antes de 37 semanas de gestação (prematuros; idade média = 31,7 ± 2,6 semanas). Os recém-nascidos foram avaliados no Setor de Neonatologia e Pediatria do Hospital Universitário da Universidade de São Paulo (HU-USP) e no Serviço de Neonatologia e Pediatria do Hospital das Clínicas de São Paulo (HCFMUSP). Durante a avaliação os recém-nascidos eram posicionados no bebê conforto, semi-elevados frente a um anteparo que impedia visualização do entorno para o teste de fixação das características faciais e no colo do responsável durante o teste de acuidade visual de Teller. O tempo médio de fixação à FC (termo = 56,9 ± 54,4 segundos; prematuros = 49,3 ± 42,8 segundos) e à FD (termo = 34,8 ± 41,5 segundos; prematuros = 44,1± 31,1 segundos) foi semelhante para recém-nascidos a termo e prematuros (FC: p = 0,723 e FD: p = 0,637). Entretanto, o tempo de fixação à FC foi estatisticamente superior (p = 0,014) ao tempo de fixação à FD para os recém-nascidos a termo, enquanto prematuros apresentaram tempos semelhantes (p = 0,75). A atenção às características faciais humanas possui papel fundamental no contexto diário dos recém-nascidos, pois influencia o desempenho de algumas habilidades que serão desenvolvidas posteriormente, como a comunicação e a interação visual, o reconhecimento de objetos, a resposta social e a orientação espacial. Os resultados do presente estudo mostram que contrariamente aos recém-nascidos a termo cuja preferência pela face humana construída é estatisticamente maior que pela face desconstruída, recém-nascidos prematuros não apresentam preferência pela face humana construída. Os achados indicam os efeitos da prematuridade na fixação à face humana e ressaltam a importância de se identificar alterações em habilidades que poderiam ser estimuladas precocemente