Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: |
2022 |
Autor(a) principal: |
Moura, Lívia Gonzaga |
Orientador(a): |
Não Informado pela instituição |
Banca de defesa: |
Não Informado pela instituição |
Tipo de documento: |
Tese
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Tipo de acesso: |
Acesso aberto |
Idioma: |
por |
Instituição de defesa: |
Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
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Programa de Pós-Graduação: |
Não Informado pela instituição
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Departamento: |
Não Informado pela instituição
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País: |
Não Informado pela instituição
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Palavras-chave em Português: |
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Link de acesso: |
https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/6/6143/tde-31082022-183630/
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Resumo: |
Desde, pelo menos, as últimas quatro décadas, o cenário nosológico com o qual se defronta o campo da Saúde Pública, se mostra cada vez mais complexo e incerto diante da emergência, reemergência e recrudescência de doenças infecciosas. Isso é parte das mudanças sociais contemporâneas que se experiencia e estão sendo conformadas na interface entre natureza e sociedade. Compreende-se que o desenvolvimento tecnocientífico tem se mostrado ambivalente para lidar com essas doenças pois, se de um lado, a sociedade demanda e produz mais ciência e tecnologia (C&T) em saúde, de outro, um crescente número de situações de saúde não respondem às incorporações tecno-científicas ou mesmo foram criadas, reflexivamente, por essas práticas. Tomou-se como recorte empírico desta pesquisa o vírus e a doença zika, consideradas expressão das doenças infecciosas emergentes. O objetivo geral foi compreender a constituição sociobiológica destas doenças à luz da teoria da modernização reflexiva. Como abordagem teórico-metodológico elaborou-se uma articulação entre a teoria da modernização reflexiva e um enfoque construtivista dos fatos científicos. Compuseram os materiais de pesquisa um conjunto de artigos selecionados sobre o vírus e a doença zika e um conjunto de textos sobre o contexto sociopolítico de instauração de pesquisas médico-científicas na África Oriental, onde se identificou pela primeira vez o vírus da zika. A partir disso elaborou-se a história da gênese sóciocientífica do vírus zika e da doença por ele causada para mostrar as interações entre humanos e não humanos envolvidas nas circunstâncias de expansão da modernidade industrial capitalista e das atividades científicas, nos primórdios e no meado do século XX, para o continente africano. Além disso, identificou-se que os métodos e técnicas científicos produziram condições para o surgimento de novas situações de doença. Compreende-se que essa análise lança um olhar sobre as doenças infecciosas emergentes no âmbito dos paradoxos e ambiguidades constitutivos da sociedade tecnocientífica contemporânea. |