Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: |
2007 |
Autor(a) principal: |
Viviani, Ana Elisa Antunes |
Orientador(a): |
Não Informado pela instituição |
Banca de defesa: |
Não Informado pela instituição |
Tipo de documento: |
Dissertação
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Tipo de acesso: |
Acesso aberto |
Idioma: |
por |
Instituição de defesa: |
Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
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Programa de Pós-Graduação: |
Não Informado pela instituição
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Departamento: |
Não Informado pela instituição
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País: |
Não Informado pela instituição
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Palavras-chave em Português: |
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Link de acesso: |
http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/27/27152/tde-21072009-163219/
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Resumo: |
O presente trabalho investiga o estado do corpo na cibersociedade através de um leque variado de abordagens e teorias. Para introduzir o assunto, foi elaborada inicialmente uma retrospectiva da sutil transformação do corpo em imagem, processo que tem suas raízes fincadas tanto nos primórdios do cristianismo, que legitimou o culto às imagens do corpo de Cristo, quanto nos estudos de anatomia do início da modernidade. As duas heranças contribuíram para a consolidação de um modelo generalizado baseado no corpo morto, hipóteses levantadas pelo pensador alemão Dietmar Kamper, e que anunciam a ascensão do corpo como máquina. Daí, passou-se à pós-modernidade, mais especificamente ao que Jean Baudrillard chama de hiper-realismo, isto é, momento em que as simulações do mundo substituem o próprio mundo, para entender o processo análogo de constituição dos simulacros do corpo. Chega-se, então, finalmente à hipermodernidade, termo encabeçado pelo canadense Arthur Kroker, para indicar que o real torna-se cada vez menos assimilável e que o corpo estaria gradativamente desaparecendo. Com base nestes pressupostos, partiu-se para a investigação de algumas teorias que afirmam que o corpo hoje é um híbrido, formado pela junção entre o orgânico e o inorgânico, também conhecido como corpo-ciborgue, ou biocibernético, e que anunciaria um estágio pós-evolutivo do homem. Através do pensador Lucien Sfez, percebeu-se como estas teorias harmonizam-se tanto com uma utopia que procura criar uma Super-Humanidade, quanto com os ideais ascéticos tão criticados por Friedrich Nietzsche. Portanto, investigou-se na obra do filósofo alemão as considerações relativas ao corpo, conjugando-as com as do pensador francês Antonin Artaud, a fim de localizar em ambos autores como se dá, através do corpo, a estratégia de escape da linguagem. Isso conduz à tópica do Real lacaniana e que Dietmar Kamper lança mão para compreender o corpo como não assimilável à linguagem. Kamper também investiga a ligação do corpo com as múltiplas dimensões, chegando à conclusão de que ele, na comunicação digital, precisa abandonar gradualmente seus sentidos a fim de alcançar o ponto zero da abstração total, de modo que a única maneira de recuperá-los seria através de saltos dimensionais. Por fim, retoma-se o corpo sentiente, em quiasma, desenvolvido por Merleau-Ponty, e que surge de seu contato com o mundo e que antecede a linguagem, remetendo a Michel Serres que, apesar de criticar fortemente a fenomenologia, recupera o importante papel dos sentidos e do movimento do corpo como centrais na constituição de um conhecimento que está em constante mutação e que se coaduna com o pensamento de Nietzsche. |