Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: |
2022 |
Autor(a) principal: |
Hett, Rafael |
Orientador(a): |
Não Informado pela instituição |
Banca de defesa: |
Não Informado pela instituição |
Tipo de documento: |
Dissertação
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Tipo de acesso: |
Acesso aberto |
Idioma: |
por |
Instituição de defesa: |
Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
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Programa de Pós-Graduação: |
Não Informado pela instituição
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Departamento: |
Não Informado pela instituição
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País: |
Não Informado pela instituição
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Palavras-chave em Português: |
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Link de acesso: |
https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8157/tde-03102022-123303/
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Resumo: |
Revolução Industrial, caracterizada pela automação dos processos e pela aproximação das fronteiras entre o tecnológico e o biológico. Diariamente, as ideias de natural e artificial refazem-se, o ser humano ganha habilidades inéditas, hibridismos emergem e novos paradigmas éticos e morais entram em debate. Trata-se do Antropoceno, a era dos humanos, assim denominado pela imensa força interventora em que se transformou a humanidade. Mas o futuro não é tão brilhante como parece, com problemas emergindo na mesma velocidade dos lançamentos tecnológicos. Nesse cenário de catástrofes globais e pandemias, percebeu-se que a lógica logocêntrica, antropocêntrica e dualista que sustentou por séculos o pensamento ocidental é incompatível com a nova realidade tão complexa e globalizada. É preciso, então, olhar para outras possibilidades de compreender o mundo e existir nele. Em especial, este trabalho imerge na cultura japonesa, dentro da qual a separação dicotômica entre humanidade e natureza soou social, histórica, artística, religiosa e espiritualmente inconcebível. A etimologia da palavra \"natureza\" (shizen ??) já fornece pistas para entender as origens desse pensamento que, sem dúvidas, passou por inúmeras modificações e contaminações ao longo dos séculos. Contudo, vê-se que nas últimas décadas há um resgate de uma noção integradora em contraponto a um modo de agir separatista. Pesquisadores nomeiam esse movimento de \"pós-animismo\", isto é, a articulação da natureza e da espiritualidade após uma revisão das falhas da epistemologia da modernidade. Por uma opção teórica, chamar-se-á esse \"pósanimismo\" de \"tecno-animismo\", ressaltando a importância da tecnologia na mediação entre a natureza e a humanidade. Mais especificamente, estes escritos analisaram de que modo essa forma de pensar, de ver, de sentir e de existir em um mundo interdependente se destaca na produção do designer de moda Kunihiko Morinaga, à frente da marca ANREALAGE, fundada em Tóquio em 2003, que desde então tem elaborado apresentações com conceitos aparentemente dualistas, mas que revelam a possibilidade de coexistência. Ao olhar para seis coleções, \"PHOTOSYNTHESIS\", \"POWER\" e \"TIME\" na primeira seção e \"CLEAR\", \"HOME\" e \"DIMENSION\" na segunda, intentou-se, em ambas, mostrar de que maneira o trânsito cultural de Morinaga entre Japão e França evidencia algumas incongruências e limitações do pensamento europeu clássico bem como dá vazão a novos quadros culturais de referência que incorporam o tecno-animismo para sugerir vias para lidar com as problemáticas do Antropoceno. Dessa forma, explorou-se a perspectiva da moda como uma manifestação de sociedades modernas, não apenas como um reflexo de seu tempo, mas também na qualidade de um poderoso agente de transformação. |