Determinantes da variação geográfica da biomassa flo restal no sul do Brasil: a contribuição de Floresta com Araucária

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2011
Autor(a) principal: Rosenfield, Milena Fermina
Orientador(a): Souza, Alexandre Fadigas de
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade do Vale do Rio dos Sinos
Programa de Pós-Graduação: Programa de Pós-Graduação em Biologia
Departamento: Escola Politécnica
País: Brasil
Palavras-chave em Português:
Palavras-chave em Inglês:
Área do conhecimento CNPq:
Link de acesso: http://www.repositorio.jesuita.org.br/handle/UNISINOS/3159
Resumo: Uma variedade de fatores ambientais e bióticos afeta a produtividade florestal e determina o acúmulo de biomassa. Em ecossistemas florestais, o aumento da produtividade primária propicia o aumento da biomassa vegetal e consequentemente o aumento do carbono orgânico estocado. Dentre os fatores que influenciam a produção de biomassa, podemos citar temperatura, pluviosidade, tipo de solo, composição florística e regime de distúrbios. Nesse sentido, há o consenso entre pesquisadores de que o aumento da temperatura, a homogeneidade do regime de chuvas e solos férteis aumentam a produtividade e possibilitam um maior acúmulo de biomassa. Além disso, diversos autores propõem que riqueza e diversidade de espécies teriam efeito positivo sobre a biomassa, pois aumentariam a eficiência no uso dos recursos. Os objetivos deste estudo foram avaliar as variáveis que afetam a biomassa florestal viva acima do solo (BAS) na região subtropical do sul do Brasil, além de analisar a distribuição espacial das estimativas de biomassa em escala regional. O estudo foi realizado em Florestas Subtropicais Úmidas do sul do Brasil, classificadas como Florestas Latifoliadas (FL) e Florestas Mistas de Coníferas e Latifoliadas (FM). Um total de 38 parcelas de 1 ha foram selecionadas e todas as árvores com DAP ≥ 9,5 cm foram incluídas para as estimativas de biomassa. Valores de BAS foram obtidos utilizando equações alométricas já publicadas na literatura. As variáveis ambientais (altitude, precipitação, temperatura e tipo de solo) foram obtidas da literatura e as variáveis bióticas (densidade e diversidade) foram calculadas a partir da base de dados. Para o conjunto total de dados, a BAS média foi de 194,3 ± 116,8 Mg ha-1 (média ± DP) e a densidade média de carbono foi de 97,2 ± 58,4 MgC ha-1. As estimativas entre tipos florestais diferiram entre si (t= -4,598; p<0,001): a BAS média foi inferior em FL (AGBFL = 118,0 ± 58,4 Mg ha-1) quando comparada a FM (AGBFM = 249,8 ± 118,1 Mg ha-1). A análise de componentes principais executou de forma satisfatória a redução da base de dados de clima e de solo. A regressão múltipla explanatória explicou 49,8% da variação na BAS (Ylog biomassa = 0,03(0,49)xraiz densidade + 0,11(0,36)x eixo latitudinal - 0,22(-0,85)xeixo altitudinal - 0,03(-0,36)xdiversidade - 0,09(-0,35)xeixo matéria orgânica + 1,66; F5,32=8,34; p<0,001; r2=0,498). A altitude contribuiu mais para o modelo do que qualquer outra variável. Não foi encontrada dependência espacial entre as parcelas. Os resultados do nosso estudo mostram uma relação negativa entre biomassa acima do solo e altitude. Assim, valores elevados de BAS estão localizados em altitudes mais elevadas e sujeitos a temperaturas amenas e frequentes chuvas mensais. Parece haver uma contribuição importante da conífera Araucaria angustifolia nas parcelas de FM, visto que árvores de grande porte da espécie foram encontradas em inúmeras unidades amostrais. Florestas subtropicais parecem ser de grande interesse para o sequestro de carbono, especialmente em áreas de Florestas Mistas. No Brasil, a espécie de conífera ameaçada de extinção A. angustifolia compõe florestas com alta diversidade (Florestas com Araucária), com grande potencial de acúmulo de biomassa e sequestro de carbono, enfocando ainda mais a importância de conservação deste ecossistema.