Impacto da variação de fatores de estratificação de risco entre os protocolos de tratamento de leucemias linfoides agudas da infância

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2018
Autor(a) principal: Silva, Klerize Anecely de Souza
Orientador(a): Daudt, Liane Esteves
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Não Informado pela instituição
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Palavras-chave em Inglês:
Link de acesso: http://hdl.handle.net/10183/248522
Resumo: Introdução: O tratamento da Leucemia Linfoide Aguda (LLA) pediátrica é uma das terapias mais complexas dentre os programas terapêuticos contra o câncer. As crianças com LLA são tratadas de acordo com a estratificação em grupos de risco afim de que crianças com características clínicas e biológicas favoráveis recebam uma terapia menos tóxica, enquanto que uma terapia mais agressiva seja reservada aos pacientes com maior risco de recaída e com menor probabilidade de sobrevida a longo prazo. Objetivos: Analisar a concordância entre as estratificações dos grupos de riscos em pacientes classificados pelos diferentes protocolos utilizados para tratamento da LLA da infância em uma instituição de referência no sul do Brasil e avaliar a influência da Doença Residual Mínima (DRM) por citometria de fluxo na análise dessas classificações de risco. Metodologia: Estudo transversal, descritivo e retrospectivo a partir da revisão de prontuários dos pacientes com idade entre 1 e 18 anos portadores de LLA B atendidos no HCPA a partir de janeiro de 2013 até abril de 2017. Todos os pacientes foram estratificados conforme as classificações de risco dos protocolos mais utilizados em instituições brasileiras, que são a do grupo Berlim-Frankfurt-Münster (BFM) e a do Grupo Cooperativo Brasileiro para Tratamento da LLA (GBTLI). A concordância entre as classificações de risco de cada protocolo foi realizada através do coeficiente Kappa. Resultados: Foram analisados 75 pacientes. A concordância entre as estratificações de risco pelos protocolos GBTLI 2009 e BFM 95 (K= 0,22; p= 0,003), GBTLI 2009 e IC-BFM 2002 (K= 0,24; p= 0,002) foi baixa, moderada entre GBTLI 2009 e IC-BFM 2009 (K= 0,44; p < 0,001) e substancial entre IC-BFM 2009 e BFM 95 (K= 0,67; p < 0,001) e IC-BFM 2009 e IC-BFM 2002 (K= 0,68; p < 0,001). As análises sugerem que DRM do D15 por CF < 0,1% foi um ponto de corte para pacientes que apresentaram melhores desfechos e DRM D15 por CF > 10% com piores resultados. A classificação pelo protocolo brasileiro demostrou um número maior de pacientes estratificados como alto risco quando comparado a do grupo BFM. As taxas de sobrevidas global e livre de eventos estimadas em 4 anos, independentes do protocolo de tratamento, foram 68,6% e 66,6% respectivamente. Conclusões: Este estudo nos fornece inúmeros pontos para reflexão sobre o tratamento da leucemia em nosso país. Observamos uma maior porcentagem de pacientes classificados como alto risco em nossa realidade e uma menor sobrevida em relação à literatura internacional. Compreender o papel das ferramentas para estratificação de risco disponíveis pode ajudar a melhorar este desfecho.