Selos de certificação para emissões de gases de efeito estufa em alimentos : um estudo aplicado a consumidores brasileiros

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2020
Autor(a) principal: Lovato, Luiz Gustavo
Orientador(a): Revillion, Jean Philippe Palma
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Não Informado pela instituição
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Palavras-chave em Inglês:
Link de acesso: http://hdl.handle.net/10183/233132
Resumo: As mudanças climáticas poderão afetar a oferta de alimentos a médio e longo prazo. A agricultura, juntamente com a pecuária e as atividades florestais responde por quase 30% das emissões de gases de efeito estufa (GEE), gerando a necessidade do desenvolvimento de uma agricultura com potencial de mitigação e redução das emissões de GEE. A certificação para emissões de GEE é uma forma de comprometer sistemas de produção de alimentos em reduzir suas emissões, mitigar as mudanças climáticas e comunicar ao consumidor esse esforço através de selos. Isso pode assegurar a transparência da informação sobre o impacto ambiental da produção, transporte e consumo de alimentos. O objetivo geral desta dissertação é analisar como o consumidor brasileiro entende e usa a informação dos selos de certificação para emissões de GEE em alimentos. Especificamente, propõe identificar ferramentas e metodologias de cálculo de emissões, bem como, seu uso para subsidiar mecanismos de certificação para emissões de GEE em sistemas agrícolas e de produção de alimentos. Visa também, investigar como as motivações do consumidor, representadas pela consciência ambiental (New Ecological Paradigm) e pelos valores humanos (Schwartz Values), se relacionam com o entendimento e uso da informação dos selos de certificação de carbono em alimentos. Verificou-se que existem plataformas para o desenvolvimento de mecanismos de certificação, os quais seguem principalmente as diretrizes do IPCC para inventários de emissões de GEE e a metodologia de Avaliação de Ciclo de Vida. Todas as certificações encontradas, a nível de produto ou sistema de produção, são voluntárias. O estudo sugere que, embora existam oportunidades de mercado para quem adota uma certificação, as metodologias empregadas na verificação das emissões de GEE podem ser diferentes para produtos e sistemas de produção de uma mesma categoria, devido à flexibilidade na delimitação do escopo do sistema analisado e à carência de inventários de fatores de emissão de locais, práticas e tecnologias específicas, não fornecendo parâmetros comparativos. Identificou-se, ainda, que apesar de auxiliar a escolha do consumidor, a comunicação do baixo impacto ambiental pelos selos de carbono ainda demanda ajustes. Desse modo, três selos de certificação foram testados: pegada de carbono, carbono neutro e orgânico. Uma survey on-line foi conduzida junto a consumidores brasileiros de alimentos (N = 308). Aos participantes foi pedido que respondessem a questões sobre aspectos sociodemográficos, variáveis psicológicas, entendimento dos selos e uso da informação contida nos selos. Análises de estatística descritiva e regressão hierárquica foram aplicadas na investigação. Para uma amostra majoritariamente jovem (52,9% 18-34 anos de idade), com alto nível de educação (58,4% pós-graduados) e de classe média (59,8% 2-10 salários mínimos) os resultados mostram que a consciência ambiental dos consumidores é determinada por gênero, renda e valores humanos. O entendimento dos selos é determinado pelo nível educacional e pelos valores humanos. Finalmente, o uso da informação contida nos selos é determinado pelo nível educacional, número de filhos e valores humanos. Embora o poder de explicação da variância dos modelos de regressão seja baixo, o estudo traz evidências que a motivação e o perfil sociodemográfico são mais importantes do que o entendimento dos selos de carbono quando o consumidor busca por informações sobre impacto ambiental em embalagens de alimentos.