Fatores demográficos e socioculturais implicados na relação entre o ritmo de sono-vigília e saúde mental

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2014
Autor(a) principal: Souza, Camila Morelatto de
Orientador(a): Hidalgo, Maria Paz Loayza
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Não Informado pela instituição
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Palavras-chave em Inglês:
Link de acesso: http://hdl.handle.net/10183/97856
Resumo: Introdução: o ciclo de sono-vigília é o comportamento rítmico circadiano mais onipresente nos humanos. Ele é estabelecido por um sistema temporizador circadiano endógeno que é regulado pela presença ou ausência de luz no ambiente. O comportamento em relação a dormir e acordar varia entre os indivíduos e essa característica nomeia-se cronotipo. Efeitos negativos à saúde têm sido associados ao cronotipo que apresenta horários para iniciar e terminar o sono mais tarde. A hipótese considerada para explicar esses achados é de que demandas sociais, que não levam em conta essa variabilidade individual, sejam mediadoras dessa relação. Objetivos: avaliar a associação entre cronotipo e saúde mental (bem-estar psicológico e sintomas depressivos) levando-se em conta fatores demográficos (sexo e idade) e as rotinas de escola ou trabalho. Materiais e métodos: estudos transversais aninhados a um estudo epidemiológico em uma amostra de indivíduos do Vale do Taquari, no sul do Brasil. Na primeira avaliação, 6.506 participantes foram avaliados quanto a variáveis demográficas, dados de saúde, sintomas depressivos (Inventário de Depressão de Beck – BDI) e cronotipo (Questionário de Cronotipo de Munique – MCTQ). Na segunda etapa, 1.127 indivíduos entre 18 e 65 anos, selecionados a partir de seu cronotipo foram avaliados através do Índice de bem-estar de 5-itens da Organização Mundial da Saúde (OMS). O ponto médio do sono nos dias de rotinas de trabalho ou escolares foi utilizado como indicador do cronotipo, sendo “atrasado” aquele que tem o ponto médio mais tarde em relação ao início da noite e “avançado”, mais cedo. Resultados: no primeiro artigo, estudou-se a relação entre cronotipo e depressão em uma amostra de estudantes adolescentes. O modelo de regressão que melhor explicou a diferença entre os grupos com diferentes níveis de sintomas de depressão (BDI<10 X BDI!10) incluiu o sexo feminino e o cronotipo atrasado. O segundo artigo demonstrou que a escala de Bem-estar de 5-itens da OMS tem uma estrutura unidimensional, boa validade interna e externa e utilidade como instrumento de triagem para depressão quando comparada ao BDI. Assim, no terceiro artigo, foi avaliada a relação entre cronotipo e bem-estar, em indivíduos entre 18 e 65 anos. O modelo de regressão que incluiu o cronotipo atrasado, maior carga de trabalho, rotinas de trabalho mais cedo no dia e menor exposição à luz do sol, como variáveis preditoras, e piores escores na Escala de Bem-estar, como desfecho, foi significativo para o sexo feminino. Discussão: a presente tese explicitou a importância de considerar os fatores idade e sexo na expressão do cronotipo e na relação deste com saúde mental. Corroborou com a hipótese de que as demandas sociais mediam a relação entre cronotipo e os desfechos estudados. A expressão do cronotipo nos dias de rotinas escolares ou de trabalho foi identificada como a variável que estabeleceu a mais forte relação com piores escores de bemestar e com mais sintomas de depressão. Por fim, reforçou a necessidade de revermos as rotinas de trabalho e escolares que, ao não considerarem as diferenças fisiológicas individuais, têm-se associado, de forma consistente, a conseqüências negativas à saúde.