Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: |
2015 |
Autor(a) principal: |
Silva, Fernanda Ramires da |
Orientador(a): |
Susin, Loredana |
Banca de defesa: |
Não Informado pela instituição |
Tipo de documento: |
Dissertação
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Tipo de acesso: |
Acesso aberto |
Idioma: |
por |
Instituição de defesa: |
Não Informado pela instituição
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Programa de Pós-Graduação: |
Não Informado pela instituição
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Departamento: |
Não Informado pela instituição
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País: |
Não Informado pela instituição
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Palavras-chave em Português: |
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Palavras-chave em Inglês: |
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Link de acesso: |
http://hdl.handle.net/10183/122344
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Resumo: |
Produzimo-nos tanto culturalmente como biologicamente e é sobre a discussão dessa fabricação – de saberes que constroem o corpo, mas principalmente os saberes submetidos às normas científicas – que se trata essa dissertação. Apresentando a delimitação do meu objeto de pesquisa, deparei-me com a constatação de que os cursos de graduação da área da saúde, em sua maioria, têm a disciplina de Anatomia como introdutória ao currículo de formação; e as mesmas são, em sua quase totalidade, ministradas por médicos. Em tais condições, penso que muitas vezes é nessa disciplina que os alunos têm os primeiros contatos mais diretamente com o corpo humano e a inúmeros saberes a ele relacionados, saberes estes pautados em uma perspectiva médica. Acredito, assim, que a construção do conhecimento proposta nestas condições estabelece uma série de significações que geram efeitos na produção e compreensão sobre o corpo e na subjetivação desses sujeitos e suas práticas. Para tanto, trago como objetivo compreender como vêm sendo produzidos os saberes sobre o corpo em uma disciplina de Anatomia de um curso de graduação em Medicina. Na busca do cumprimento de tal objetivo, busquei compreender como se estabelece/estabeleceu a legitimidade de quem pode ou não falar do/sobre corpo neste âmbito; assim como, investigar alguns atravessamentos histórico-sociais que estavam em funcionamento naquele contexto e, portanto, na constituição desses saberes; e, ainda, identificar como se dava a pedagogização do corpo nessa disciplina. Para realização desta pesquisa busquei experimentar a pluralidade dos acontecimentos decorridos, procurando não estabelecer tópicos a priori; compreendendo a importância da imersão no campo, no contexto onde os acontecimentos se produzem. Nessa perspectiva, realizei a observação das aulas da disciplina de Anatomia de um curso de graduação em Medicina, durante um semestre, visando olhar o contexto enquanto ele acontecia, um trabalho de campo participante de inspiração etnográfica. Neste estudo falo sobre como se dá a legitimidade de falar do/sobre corpo e dos modos de subjetivação que constituem o sujeito médico. Trato da produção de um aprendizado anatômico alicerçado no estudo prático/demonstrativo e sobre como os indivíduos vêm sendo produzidos e ensinados a pensar no laboratório. Assim como, falo do uso e posicionamento da linguagem científica e da utilização e articulação de técnicas pedagógicas para construir o objeto a conhecer. Com a realização deste estudo passei a compreender a produção de um corpo que chamei de anatomoclínico; assim denomino esse corpo dada sua imbricação com a Anatomia e com a clínica, mas principalmente dado o olhar que constituímos na produção deste corpo, um corpo anatômico que é padrão e tudo que desviar desta estandardização deve ser diagnosticado, subsidiado pela conformação do olhar clínico. Descrevemos, nomeamos, classificamos e organizamos uma configuração da doença. Um corpo que deve seguir uma normalidade, mas que às vezes é variante, desviante. Um corpo que segue estágios vitais e deve desenvolver-se conforme uma suposta linearidade biológica. Um corpo que responde ao trauma e se modifica, um corpo disfuncional (pois tem funções bem delimitadas e específicas). Também é um corpo que pode e deve ser diagnosticado. Um corpo que experimenta interferências: pode ser esquadrinhado, tornado visível, anatomizado, pode sofrer incisões, intervenções cirúrgicas, pode ser anestesiado e apresentar intercorrências. esse corpo não é apenas anatômico, é um corpo anatomoclínico. É muito mais do que um corpo passível de doenças, é um corpo que se presta à clínica, é um corpo diagnosticável, e só existe a partir do olhar anatomoclínico. |