Achados clínicos em crianças e adolescentes com fibrose cística e sua relação com variáveis socioeconômicas e moleculares

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2020
Autor(a) principal: Sanseverino, Paula Baptista
Orientador(a): Marostica, Paulo José Cauduro
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Não Informado pela instituição
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Palavras-chave em Inglês:
Link de acesso: http://hdl.handle.net/10183/220378
Resumo: Introdução: A Fibrose cística (FC) é uma doença genética autossômica recessiva limitadora de vida. Mais de 2000 mutações no gene CFTR já foram identificadas. A abrangência de manifestações clínicas na FC varia, tanto em relação ao número de órgãos afetados, quanto à gravidade da doença, sem uma correlação genótipo-fenótipo forte o suficiente para explicar tal variabilidade. É possível que outros fatores genéticos ou mesmo fatores não genéticos influenciem os fenótipos de forma significativa. Objetivo: Avaliar a correlação dos achados moleculares no gene CFTR e variáveis socioeconômicas com achados clínicos de crianças e adolescentes com fibrose cística acompanhados no Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA). Metodologia: Os pacientes de até 18 anos foram recrutados prospectivamente a partir do ambulatório de Pneumologia Pediátrica específico para Fibrose Cística do HCPA. Durante a avaliação dos pacientes, além da avaliação clínica e laboratorial realizadas na rotina do serviço foi aplicado questionário sobre dados socioeconômicos da Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa (ABEP) conforme o Critério Brasil 2018. Os pacientes, que no momento do recrutamento ainda não tinham realizado a dosagem de elastase fecal como parte de sua avaliação de rotina, foram convidados a fazer o exame como parte do estudo. Pacientes que não tinham seu genótipo estabelecido foi realizado sequenciamento de nova geração (NGS). Resultados: No total foram alocados 87 pacientes com mediana de idade de 8 (4-14) anos. Os pacientes foram divididos em cinco grupos conforme seu genótipo. A mutação mais frequente encontrada foi a p.Phe508del presente em 57.9% dos alelos estudados. Além da p.Phe508del outras seis mutações tiveram frequência acima de 2%. A maioria dos pacientes foram insuficientes pancreáticos (95,4%) com mediana da elastase fecal de 15 (15-15) mcg/g. Os pacientes encontravam-se nutricionalmente com escore Z para Índice de Massa Corporal (Z- IMC) de 0.14±0.98 e para altura de -1.00 (-1.65 - -0.35). O nível médio de albumina foi de 4.42±0.347g/dL. A média do escore Z para valores de função pulmonar do VEF1 dos 52 pacientes com espirometrias que cumpriam critérios de aceitabilidade foi de -1.05 (-2.29 - -0.02) e do CVF -0.927±2.67. Houve correlação significativa entre albumina e Z-IMC (0,32; p < 0.01). Ambas as variáveis apresentaram correlação com a idade, de forma que quanto mais velho o paciente menor o Z-IMC (-0.35; p<0.01) e a albumina (-0.23; p <0.05). Quando comparados os dados do Escore ultrassonográfico Hepático de Williams houve diferença significativa entre os grupos (p= 0.0). Houve diferença limítrofe entre os grupos nos dados de radiografia de tórax (p = 0.051). Pacientes com níveis de albumina maior foram associados a maiores valores de Z-VEF1 (0.4; p<0.01). Pacientes em que a pontuação da ABEP foi maior tiveram um Z-Altura maior também (0.26; p<0.05). Conclusão: Poucos desfechos avaliados no estudo relacionaram-se com o genótipo. Outras variáveis genéticas podem estar envolvidas. Pacientes menos favorecidos socioeconomicamente apresentaram menor estatura demonstrando uma relação ambiental com a apresentação clínica da doença.