“É bom porque tem gosto bom” : o lugar do prazer e do gosto nas concepções sobre alimentação e nas práticas alimentares de crianças em escolas públicas de Osório/RS no contexto do programa nacional de alimentação escolar (PNAE)

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2019
Autor(a) principal: Rizzi, Cíntia Hoffmeister
Orientador(a): Maciel, Maria Eunice de Souza
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Não Informado pela instituição
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Palavras-chave em Inglês:
Link de acesso: http://hdl.handle.net/10183/206951
Resumo: Essa dissertação é uma reflexão sobre práticas alimentares de crianças na escola e suas concepções sobre alimentação no contexto do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), em Osório, região Litoral Norte Gaúcho – Brasil. Partindo da visão da escola como um espaço social alimentar, o objetivo é conhecer as práticas alimentares e concepções sobre nutrição e alimentação que as crianças têm - que incluem alimentos que lhes são oferecidos na merenda escolar, alimentos que eles compram na cantina da escola e alimentos que eles trazem de casa - no contexto escolar. A partir de uma abordagem antropológica da alimentação e também da tomada de crianças como sujeitos sociais, o estudo debate sobre o uso da própria metodologia e instrumentos da antropologia, pesquisando o complexo cultural que leva ao que as crianças entendem como “saudável” e “gostoso”, revelando a existência de alguma tensão entre essas duas categorias e apresentando a preeminência do prazer em suas escolhas alimentares. A emergência e problematização dessas categorias encaminharam as reflexões ao questionamento de como são construídas e acionadas por parte das crianças e demonstraram, além disso, que as escolhas alimentares são baseadas mais do que numa sensação “natural” que as orienta, ligadas aos sentidos, mas apresentam-se também enquanto um constructo social aprendido no processo de socialização. Esse construto social é mental, mas também corporal, e está ligado aos sentidos e percepções, uma vez que alimentar-se significa sabor e prazer, em geral, mas também inclui um processo complexo de compreensão e interpretação de categorias como "saudável", "orgânico", "natural" e outras, além de dividir a alimentação diária em categorias que definem tipos apropriados de alimentos para cada refeição específica - café da manhã, almoço, lanche e assim por diante. As reflexões produzidas nesse trabalho podem contribuir para o debate sobre alimentação na infância e políticas públicas de alimentação escolar no Brasil.