Acurácia da calculadora Fullpiers em prever efeitos maternos adversos em uma população de gestantes com pré-eclâmpsia

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2024
Autor(a) principal: Teichmann, Pedro do Valle
Orientador(a): Ramos, José Geraldo Lopes
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Não Informado pela instituição
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Palavras-chave em Inglês:
Link de acesso: http://hdl.handle.net/10183/283852
Resumo: Introdução: A pré-eclâmpsia é uma condição grave que afeta gestantes, sendo uma das principais causas de morbidade e mortalidade materna e perinatal, especialmente em países de baixa e média renda. O modelo fullPIERS foi desenvolvido para prever desfechos maternos adversos em mulheres com pré-eclâmpsia em até 48 horas, mas sua aplicabilidade em populações diversas, como na América Latina, ainda é pouco explorada. Objetivo: Validar o modelo fullPIERS para a predição de desfechos maternos e neonatais adversos em mulheres com pré-eclâmpsia em um hospital terciário no sul do Brasil. Métodos: Estudo retrospectivo que incluiu mulheres diagnosticadas com pré-eclâmpsia no Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA) entre janeiro de 2017 e agosto de 2024. Dados foram coletados de prontuários e foi calculado o escore fullPIERS para cada paciente. Os desfechos maternos adversos, incluindo eclâmpsia, síndrome HELLP e edema pulmonar, foram avaliados dentro de 48 horas após o cálculo do escore. O desempenho do modelo foi avaliado pela área sob a curva (AUC) da análise de característica de operação do receptor (ROC) e o melhor ponto de corte para predição de desfechos maternos adversos foi calculado. Resultados: Um total de 661 mulheres com pré-eclâmpsia foi incluído, e 122 (18,45%) apresentaram desfechos maternos adversos. A mediana do escore fullPIERS foi maior entre as mulheres com complicações maternas (2,75% [IQR 15 0,7–8,9] vs. 0,7% [IQR 0,3–1,4]; p < 0,001). O modelo fullPIERS mostrou uma acurácia aceitável para predizer desfechos maternos adversos (AUC = 0,740, IC 0,685 – 0,796, p < 0,01). O melhor ponto de corte foi de 2,75%, com acurácia de 84,2%, sensibilidade de 50% e especificidade de 92%. O fullPIERS também apresentou desempenho moderado na predição de desfechos neonatais adversos (AUC = 0,752, IC 95% 0,703–0,802, p < 0,001) e para desfechos combinados maternos e neonatais (AUC = 0,745, IC 95% 0,701–0,790, p < 0,001). Conclusão: O modelo fullPIERS se mostrou uma ferramenta confiável para prever desfechos maternos adversos em mulheres com pré-eclâmpsia em um ambiente de cuidados terciários. Adaptações regionais do modelo podem ser necessárias para otimizar sua aplicabilidade em populações de países de baixa e média renda, como o Brasil.