Cara de pele, efeito de pele : uma etnografia do debate sobre o uso de peles animais nas indústrias do vestuário e da moda a partir da campanha boicote arezzo

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2013
Autor(a) principal: Borges, Priscila Rodrigues
Orientador(a): Lewgoy, Bernardo
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Não Informado pela instituição
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Palavras-chave em Inglês:
Link de acesso: http://hdl.handle.net/10183/168950
Resumo: Nas décadas de 1980 e 1990, as campanhas antipele atingiram seu auge e conquistaram notoriedade por meio das mídias tradicionais com a participação de inúmeras celebridades ligadas às indústrias do entretenimento e da moda, especialmente de um tipo particular (mulher e jovem) (EMBERLEY, 1997; NADEAU, 2011). Nos anos 2000, as Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs) ampliaram as possibilidades de arranjos e de manifestações sociais como instrumentos de pressão, tanto nas esferas pública e privada, entre os mais diversos grupos e causas, incluindo a dos direitos dos animais. Desde então, iniciativas de boicote às marcas e às empresas envolvidas na produção e no comércio global das roupas de peles de animais tornaram-se o principal foco das campanhas antipele no Brasil e no exterior. Essas, empreendidas nos ambientes virtuais na Internet e para além desses, estão orientadas, sobretudo, pelas noções de sofrimento e de crueldade animal e, nos últimos anos, de consumo sustentável ou ético. Assim, esta dissertação analisa, por meio de uma etnografia em escala awkward (COMAROFF; COMAROFF, 2003), o jogo de forças constituído na tensão entre as diferentes noções de pele e couro, sofrimento e crueldade animal e consumo sustentável nos fluxos comunicacionais surgidos com as campanhas Boicote Arezzo (#boicotearezzo), Blogueira Sangrenta (#blogueirasangrenta) e Sexta Feira Mundial Sem Pele (Worldwide Fur-Free Friday – WFFF), ocorridas no Brasil em 2011 e 2012. O debate em torno do uso de peles instaurado a partir das controvérsias envolvendo essas três campanhas evidencia: (i) como as manifestações individuais ou coletivas realizadas em ambientes virtuais têm interferido nas pautas de consumo envolvendo a pluralidade ética em relação aos animais não humanos e aos estilos de vida contemporâneos e (ii) de que maneira os episódios se relacionam frente às respostas do Estado Brasileiro, como o Projeto de Lei nº 684/2011 em tramitação no Congresso Nacional – adendo à Lei de Crimes Ambientais – que proíbe o uso de peles em eventos de moda e promove campanhas de conscientização nas escolas brasileiras contra o uso de peles.