O porongo (Lagenaria Siceraria) como matéria-prima para a produção de recipientes : caracterização e impermeabilização

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2015
Autor(a) principal: Nejeliski, Danieli Maehler
Orientador(a): Duarte, Lauren da Cunha
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Não Informado pela instituição
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Palavras-chave em Inglês:
Link de acesso: http://hdl.handle.net/10183/127910
Resumo: O porongo (Lagenaria siceraria) é o fruto de uma planta da família das cucurbitáceas que quando colhido, se deixado secar, torna-se oco com o mesocarpo similar ao aspecto da madeira e o exocarpo liso e impermeável. Este fruto disseminou-se por todos os continentes antes do homem e foi uma das primeiras plantas domesticadas. Diferentes povos utilizam o porongo na confecção de recipientes, instrumentos musicais, boias e máscaras. No sul do Brasil é empregado na fabricação das cuias, recipientes para o chimarrão. Planta de hábito tropical, adapta-se facilmente à qualquer clima, com ciclo produtivo anual configura-se em alternativa de fonte renovável. Como material natural orgânico, é suscetível à degradação sem tratamento. Buscando viabilizar sua utilização na fabricação de recipientes para alimentos e bebidas priorizou-se a caracterização da estrutura e a aplicação de técnicas de impermeabilização. Para a confecção da amostras foram utilizados frutos coletados em Santa Maria, RS, e para a impermeabilização foi utilizada resina poliuretana à base de óleo de mamona. A caracterização do material constituinte do porongo foi feita com auxílio de microscópio eletrônico de varredura, microscopio de luz transmitida, análise termogravimétrica, determinação do teor de umidade, da densidade básica e da aparente e através da digitalização tridimensional para análise da variação dimensional. A caracterização da resina foi feita por espectroscopia de infra-vermelho com transformada de Fourier e a eficiência da impermeabilização foi analisada através de ensaio de absorção de água e ângulo de contato de gota. Pela microscopia identificou-se o exocarpo como uma fina camada de células compactas, por isso impermeável, e o mesocarpo formado pelo parênquima, com células que aumentam de tamanho progressivamente em direção ao centro, caracterizadas por grandes espaços vazios com parede espessada lignificada e canais de comunicação intercelular, que faz o material ser altamente hidrofílico. Ao absorver a água, há o preenchimento dos vácuolos das células até a saturação, sem grandes alteraçãos das dimensões do material, dimensionalmente estável. O porongo possui densidade heterogênea muito baixa, em média 0,124 g/cm³, na faixa de densidade das espumas poliméricas. Quanto à absorção de água, as amostras sem tratamento tiveram aumento de massa de cerca de 150% até a saturação. Após a impermeabilização, as amostras com uma camada de resina tiveram aumento de massa entre 23% e 37%, enquanto que àquelas com duas camadas de resina de apenas 5% e 6%, o que indica a eficiência do método de impermeabilização.