"Só aumenta a musculatura, 'desfeminiza' e cria pelo" : riscos, eficácias e efeitos colaterais no uso da gestrinona (1966-2023)

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2024
Autor(a) principal: Cavalheiro, Camila Silveira
Orientador(a): Rohden, Fabiola
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Não Informado pela instituição
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Palavras-chave em Inglês:
Link de acesso: http://hdl.handle.net/10183/277580
Resumo: Aumento da massa magra, diminuição do percentual de gordura e do inchaço, suspensão da menstruação e melhora do aspecto da pele e cabelos: estas são as promessas no “chip da beleza”, implante hormonal que ganhou notoriedade entre mulheres brasileiras. O hormônio responsável por estes efeitos é a gestrinona. Sintetizada na França pelo laboratório Roussel-Uclaf em 1966, a gestrinona foi uma das substâncias testadas como contraceptivo nas décadas de 1960 e 1970, até as pesquisas serem suspensas por conta dos efeitos colaterais observados. Foi comercializada como um medicamento para tratamento de endometriose entre os anos 1980 e 1990, mas caiu no desuso por conta dos seus efeitos potencialmente virilizantes. Pela mesma razão, foi banida dos esportes pela Agência Mundial Antidopagem (WADA) e pelo Comitê Olímpico Internacional (COI). No Brasil, seu uso é descrito como um problema de saúde pública. Em 2022, foi incluída pela ANVISA na lista C5, que sumariza as substâncias anabolizantes de venda e uso controlado. Inserida no encontro entre os campos da ciência e tecnologia, saúde, gênero e sexualidade, esta pesquisa visa reconstruir a vida social da gestrinona, atentando para aspectos sociais, políticos e econômicos imbricados no desenvolvimento e uso da molécula, que apontam para a (co)produção e reiteração de concepções específicas sobre corpo, saúde, adoecimento, “feminilidade” e “masculinidade”.