Avaliação da estabilidade pós-reconstituição de antibióticos carbapenêmicos : desenvolvimento analítico, determinação de produtos de degradação e avaliação da toxicidade in vitro

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2020
Autor(a) principal: Barbosa, Fábio de Souza
Orientador(a): Mendez, Andreas Sebastian Loureiro
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Não Informado pela instituição
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Palavras-chave em Inglês:
Link de acesso: http://hdl.handle.net/10183/217861
Resumo: Os derivados carbapenemicos são os antibióticos β-lactâmicos dotados de maior espectro de ação, atividade e resistência a enzimas β-lactamases, sendo importantes à terapêutica atual no tratamento de diversos tipos de infeções hospitalares. A reconhecida instabilidade química desta classe, em especial quando em solução, leva à necessidade de estudos analíticos aplicados à avaliação da sua estabilidade, com foco em impurezas e produtos de degradação. O presente trabalho objetiva a avaliação da estabilidade pós-reconstituição dos antibióticos imipenem, meropenem e doripenem, em condições de uso clínico, contemplando o monitoramento e a identificação dos produtos de degradação formados. Para a avaliação da estabilidade pós-reconstituição, amostras comerciais destes fármacos foram preparadas em solução fisiológica (NaCl 0,9%) e em solução de glicose 5%, ambos fluidos para infusão, na concentração indicada para uso (5 mg/mL), e armazenadas à temperatura ambiente e sob refrigeração por até 24 e 72 horas, respectivamente. Para o imipenem, as análises quantitativas foram realizadas por CLAE-DAD através de método previamente validado, e os produtos de degradação formados durante o período de armazenamento foram monitorados e identificados por ESI-Q-TOF. Quando armazenado à temperatura ambiente, o imipenem apresentou maior tendência de degradação nas amostras preparadas em solução de glicose 5 %, sendo observado decaimento de aproximadamente 7 % de seu teor inicial, em 4 horas. Para as amostras preparadas em soro fisiológico e armazenadas sob refrigeração, o fármaco manteve o teor acima de 90 % durante 12 horas. Foram detectados e identificados três produtos de degradação: m/z 318, m/z 599 e m/z 658. Os mesmos provém da suscetibilidade química do anel β-lactâmico, de reação de dimerização, e da interação entre o fármaco e a cilastatina. Para o estudo com o meropenem, foi proposto um método de quantificação por ESI-Q-TOF, através da infusão direta das amostras. Os resultados de estabilidade demonstraram que o uso prolongado de infusões não é recomendado. O fármaco apresentou degradação de aproximadamente 10 % de seu teor inicial após 4 horas à temperatura ambiente, quando diluído em glicose 5%. Em soro fisiológico após 4 horas, o decaimento foi de 4 % de seu teor inicial. As análises por ESI-Q-TOF demonstram a formação de dois produtos de degradação: um de m/z 402, referente à hidrólise do anel β-lactâmico, formado em ambas as condições, e outro de m/z 564, formado apenas em solução glicosada, e possivelmente fruto da interação do fármaco com a glicose. Para o estudo com o doripenem, um método por LC-ESI-QTOF foi validado. O doripenem apresentou um perfil de degradação semelhante em ambas às condições testadas, sendo que, após 4 horas à temperatura ambiente, os teores residuais de doripenem foram de 96,74 % e 96,48 %, para as amostras reconstituídas em solução fisiológica e glicose 5 %, respectivamente. O método por LC-ESI-QTOF foi capaz de separar e detectar três produtos de degradação, um formado pela clivagem do anelβ-lactâmico, e dois pela dimerização do fármaco. A citotoxicidade das amostras degradadas de imipenem e meropenem foi avaliada através de ensaios de viabilidade celular, que demonstraram uma leve toxicidade das amostras, que já podem ser observadas após 4 horas de armazenamento a temperatura ambiente. No geral, os resultados obtidos neste trabalho ressaltam os cuidados a serem tomados durante o manuseio e a administração destes fármacos no ambiente hospitalar.