Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: |
2019 |
Autor(a) principal: |
Basgalupp, Suelen Porto |
Orientador(a): |
Schwartz, Ida Vanessa Doederlein |
Banca de defesa: |
Não Informado pela instituição |
Tipo de documento: |
Tese
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Tipo de acesso: |
Acesso aberto |
Idioma: |
por |
Instituição de defesa: |
Não Informado pela instituição
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Programa de Pós-Graduação: |
Não Informado pela instituição
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Departamento: |
Não Informado pela instituição
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País: |
Não Informado pela instituição
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Palavras-chave em Português: |
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Palavras-chave em Inglês: |
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Link de acesso: |
http://hdl.handle.net/10183/199007
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Resumo: |
A doença de Gaucher (DG) é uma doença rara, herdada de forma autossômica recessiva, causada pela atividade reduzida da enzima lisossomal glicocerebrosidase (GCase) devido a mutações patogênicas no gene GBA1, o que leva ao acúmulo do substrato glicocerebrosídeo em macrófagos. A DG apresenta uma grande variabilidade fenotípica, sendo caracterizada principalmente por manifestações hematológicas, viscerais, ósseas e neurológicas. Embora cerca de 500 mutações já tenham sido descritas no gene GBA1, não há uma associação estabelecida entre mutações específicas e as características clínicas apresentadas pelos pacientes com DG. O acúmulo de glicocerebrosídeo pode estar afetando a função lisossômica, o que poderia levar a uma disfunção celular e a anormalidades clínicas, como a deficiência de vitamina B12 (B12). Objetivos: Caracterizar o genótipo e o metabolismo da vitamina B12 em pacientes com DG. Métodos: Foram analisados, por Multiplex ligation-dependent probe amplification (MLPA), 33 pacientes com DG para identificar a presença de deleções e inserções no GBA1 em pacientes que não apresentavam genótipo definido. Foram caracterizadas amostras de 72 pacientes com DG (n=40 da região Sul do Brasil, n=32 de outras regiões do país) utilizando o método de Sanger ou sequenciamento de nova geração e as frequências alélicas das mutações identificadas foram comparadas entre pacientes com DG de diferentes regiões do Brasil. Biomarcadores funcionais do metabolismo da B12 foram mensurados em fibroblastos de indivíduos saudáveis (n=3), pacientes com DG não tratados (tipo I=1; tipo II=1; tipo III=1) e um heterozigoto assintomático. A expressão de transcobalamina (TC) em células de indivíduos saudáveis e de pacientes com DG foi analisada por Western blot. Níveis de B12 total, holo-transcobalamina (holo-TC), homocisteína total (tHcy) e ácido metilmalônico (MMA) foram analisados retrospectivamente em 52 amostras de plasma de 10 pacientes brasileiros com DG tipo I acompanhados pelo Centro de Referência em DG do Sul do Brasil. Resultados: Foi identificada uma deleção em heterozigose de uma região do gene GBA1 em uma paciente com DG que apresentava genótipo incompleto. Trinta e uma mutações foram identificadas em pacientes brasileiros com DG, sendo duas delas não descritas na literatura. Pacientes com DG pertencentes à região Sul do Brasil apresentaram perfil alélico diferente daqueles que pertenciam às demais regiões do país. Níveis de biomarcadores funcionais do status de B12 não diferiram entre amostras de células de pacientes com DG e de indivíduos saudáveis. A análise por Western blot a partir de lisados de células indicou a presença de conteúdo normal de TC em ambas as linhagens celulares. Nenhum paciente com DG tipo I apresentou níveis 10 reduzidos de B12 total em amostras de plasmas. A análise de quatro biomarcadores do status de B12 sugere que não há uma deficiência funcional desse micronutriente em pacientes com DG tipo I. Conclusão: A técnica de MLPA é uma metodologia complementar que pode ser utilizada para analisar a presença de deleções e de inserções em pacientes com DG que não apresentam genótipo definido. Em relação à caracterização genética de pacientes brasileiros com DG, o alelo mais frequente foi o N370S. O estudo sugere que existe um perfil alélico específico no GBA1 entre pacientes com DG de diferentes regiões do Brasil, sendo que os alelos N370S, RecNciI e L444P foram mais representativos na região Sul do país. A investigação do metabolismo da B12 em pacientes com DG mostrou que as vias de transporte e de processamento da B12 estão preservadas em células de pacientes com DG. A análise de biomarcadores do status de B12 em amostras de plasmas mostrou que pacientes brasileiros com DG tipo I apresentam níveis normais de B12, o que difere de um estudo prévio que demonstrou uma alta prevalência de níveis reduzidos de B12 em pacientes com DG da população judeus Ashkenazi. Além disso, a análise de biomarcadores funcionais (tHcy e MMA) não indicou deficiência de B12 em pacientes com DG. Portanto, o acúmulo de glicocerebrosídeo nos lisossomos parece não afetar o processamento e o tráfego da vitamina B12, não ocasionando uma deficiência funcional de B12 em pacientes com DG tipo I. |