Conhecimento aberto na educação em ciências e tecnologia : um estudo para a construção de uma educação emancipatória em sociedades do conhecimento

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2020
Autor(a) principal: Freitas, Marina Pinto Pizarro de
Orientador(a): Araujo, Ives Solano
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Não Informado pela instituição
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Palavras-chave em Inglês:
Link de acesso: http://hdl.handle.net/10183/219172
Resumo: Promover uma educação dialógica e problematizadora, que fomente o engajamento pessoal de cada educando na sua emancipação e na luta pela superação das situações de injustiça e dependência em que se encontra, é o desejo de muitos educadores e educadoras. Alinhado com esse objetivo, o estudo teórico desenvolvido nesta dissertação parte da problematização sobre como o extenso uso de tecnologias proprietárias na educação impõe limitações aos educandos, molda suas formas de agir e pensar. Seu foco está na apresentação de alternativas ao paradigma proprietário no ensino de ciências e tecnologia, em especial o conhecimento aberto, como possibilidade para se concretizar uma educação emancipatória. Defende-se, então, o uso de Recursos Educacionais Abertos à luz da educação freiriana, fomentando assim uma cultura de colaboração e criação crítica e consciente no contexto educacional. Fundamentadas na Teoria da Sociedade do Conhecimento de Nico Stehr e nas ideias de Paulo Freire, as questões de pesquisa que dirigem esta investigação teórica são: i. Qual a concepção de conhecimento aberto originada dos movimentos de código aberto?; ii. Quais as implicações do conhecimento aberto no acesso ao conhecimento em uma sociedade do conhecimento?; iii. Quais as características de uma educação emancipatória em uma sociedade do conhecimento?; e iv. Quais as características e implicações de uma educação emancipatória baseada no conhecimento aberto em uma sociedade do conhecimento?. Inicialmente baseado nas concepções dos movimentos de código aberto e na Teoria de Hiperobjetos de Rafael Pezzi, é construída uma noção de conhecimento aberto como o conjunto obra-documentaçãolicença imerso em uma rede de outros conhecimentos abertos, sustentados pelas filosofias, práticas e ferramentas desses movimentos. Da leitura da TSC, entende-se que o conhecimento aberto diminui a escassez dos conhecimentos incrementais, que são diferenciados por serem adicionais em relação aos conhecimentos ordinários, e atenua barreiras para a formação de habilidades interpretativas e técnicas, ampliando assim as possibilidades de ação. Da articulação dessa leitura com a educação emancipatória, é proposto o conceito de Capacidade de Ação Emancipatória, caracterizada como conhecimentos, habilidades e a consciência necessária para a superação de situações de dependência e injustiça. Assim, maior contribuição na libertação é atribuída aos conteúdos e técnicas de Ciências e Tecnologias (C&T) ensinadas, já que esses têm influência direta e indireta nas oportunidades e modos de vida das pessoas. É também discutido que a formação das capacidades de ação emancipatória ocorre na estrita relação entre a consciência das situações de injustiça, o engajamento na libertação e o domínio das capacidades de ação necessária para a transformação da realidade, individual e coletiva. É nesse último elemento que o conhecimento aberto tem suas principais contribuições. Adicionalmente, uma educação emancipatória amplia as formas de participação social em C&T, favorecendo a produção de alternativas livres, colaborativas e descentralizadas, sem submeterem as pessoas ao controle e vigilância. Por fim, conclui-se que o conhecimento aberto é uma alternativa ao paradigma proprietário no ensino de C&T que pode contribuir para uma educação emancipatória, principalmente nos aspectos de dialogicidade entre reflexão e ação, consciência do lugar no mundo, esperança na, e possibilidades para a, transformação da realidade e criação de conhecimento, engajamento na própria libertação e desburocratização das mentes. As reflexões expostas propõem que o conhecimento aberto seja incorporado à educação emancipatória em C&T com todo seu potencial, não se resumido a ferramentas e materiais, mas como uma complexa rede de conteúdos, práticas e pessoas que, de um viés libertário, fortalecem as capacidades de ação que podem ser mobilizadas para a emancipação.