Estudo etnobotânico das plantas aquáticas vasculares para artesanato no litotal norte do Rio Grande do Sul-Brasil

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2015
Autor(a) principal: Lizarazo, Mabel Rocio Baéz
Orientador(a): Ritter, Mara Rejane
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Não Informado pela instituição
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: http://hdl.handle.net/10183/131913
Resumo: Os ecossistemas aquáticos são de vital importância para o equilíbrio ecológico e a estabilidade climática. Nestes ecossistemas localiza-se uma ampla diversidade de plantas e animais que vem sofrendo uma continua degradação, sendo que iniciativas visando sua proteção e conservação são fundamentais em planos de manejo ambiental. Muitas destas áreas são consideradas ambientes com importância internacional, regional e local. A legislação referente às áreas de Preservação Permanente (APPs) proposta no Brasil, tem causado uma série de conflitos com as populações que moram nestes locais e utilizam os recursos naturais há muito tempo. Este é o caso do uso das plantas aquáticas vasculares para artesanato no Litoral Norte do Rio Grande do Sul, onde são escassos os estudos em relação à atividade, assim como desconhecidas as populações que as usam, sendo que o conhecimento ecológico local e da atividade são desconhecidos e ignorados. Neste contexto, o presente trabalho teve como objetivo estudar o conhecimento, uso e extração de plantas aquáticas vasculares para artesanato no Sul do Brasil, bem como investigar a riqueza de espécies aquáticas conhecidas e usadas para artesanato, e as espécies mais importantes para a comunidade no Litoral Norte do Rio Grande do Sul, sul do Brasil; verificar se dados sociais estão associados com o conhecimento destas plantas; identificar os métodos de extração e confecção de artesanato, assim como a versatilidade das plantas aquáticas vasculares; investigar o conhecimento ecológico local da população para quatro espécies de plantas aquáticas vasculares usadas para artesanato; estudar os riscos percebidos pela comunidade na atividade artesanal e verificar se o conhecimento ecológico local da comunidade sobre as plantas aquáticas vasculares utilizadas para artesanato subsidia a conservação e a sustentabilidade dos recursos. Usando o método de bola-de-neve, foram localizadas as pessoas que atualmente trabalham com artesanato de plantas aquáticas vasculares em três municípios: Imbé, Maquiné e Osório. Foram entrevistadas 35 pessoas, sendo 18 homens e 17 mulheres classificados em dois grupos, coletores (15 pessoas) e tecedores (20). Foram realizadas turnês-guiadas com todos os informantes, obtendo-se o registro de 16 espécies de plantas aquáticas vasculares, sendo quatro com o maior IVs: Schoenoplectus californicus (C.A.Mey.) Soják (“Junco”), Typha domingensis Pers. e T. latifolia L. (“Taboa”) e Androtrichum giganteum (Kunth) H.Pfeiff. (“Tiririca”). Verificou-se a elaboração de 17 tipos de artesanato sendo as espécies de taboa as que apresentaram maior número de formas de uso. Predominou a elaboração de um tipo de artesanato por planta, principalmente as esteiras de junco. As plantas conhecidas, usadas e o número de peças de artesanato confeccionadas foram correlacionados com a idade, tempo de moradia no local e tempo trabalhado com artesanato, e não com a escolaridade. Há diferenças de gênero para o número de peças de artesanato confeccionadas (p < 0,05; n=35), sendo as mulheres as mais diversas, mas não houve diferenças em plantas conhecidas e usadas entre os gêneros. Para as quatro espécies com maior IVs foram reconhecidas características fenológicas como a época de brotação, o período de maior crescimento, o tipo de reprodução e a época da morte, havendo mais de 80% de consenso entre os cortadores para uma determinada época e mais de 50% entre os tecedores, apresentando maiores diferenças neste último grupo. Os principais riscos da atividade artesanal citados foram a saúde e as intervenções de órgãos ambientais, que influenciam a coleta e a seleção das espécies trabalhadas. Pode-se afirmar que o artesanato é realizado como complemento à renda familiar, e seu uso está fortemente ligado aos dados sociais da população entrevistada. A comunidade do litoral que foi entrevistada tem uma alta riqueza de conhecimento ecológico e fenológico das plantas aquáticas vasculares utilizadas para artesanato, que vem permitindo seu uso atual, assim como também podem influenciar e subsidiar futuros trabalhos com estas espécies na região.