Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: |
2012 |
Autor(a) principal: |
Koppe, Tiago de Bone |
Orientador(a): |
Roman, Tatiana |
Banca de defesa: |
Não Informado pela instituição |
Tipo de documento: |
Dissertação
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Tipo de acesso: |
Acesso aberto |
Idioma: |
por |
Instituição de defesa: |
Não Informado pela instituição
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Programa de Pós-Graduação: |
Não Informado pela instituição
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Departamento: |
Não Informado pela instituição
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País: |
Não Informado pela instituição
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Palavras-chave em Português: |
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Palavras-chave em Inglês: |
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Link de acesso: |
http://hdl.handle.net/10183/254097
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Resumo: |
O Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH), com prevalência estimada em 5,29%, é um dos transtornos psiquiátricos mais comuns da infância e da adolescência e caracteriza-se clinicamente por um quadro persistente de desatenção e/ou hiperatividade/impulsividade mais severo do que o esperado para indivíduos com nível comparável de desenvolvimento. O TDAH é um fenótipo bastante complexo e de herança multifatorial, porém com alta herdabilidade (~76%), fato que impulsiona a busca por genes de susceptibilidade. Estudos de associação, apoiados em hipóteses biológicas a priori, vêm focando especialmente em genes do sistema dopaminérgico. Dentre esses, o gene do receptor D4 de dopamina (DRD4) é objeto de intensa investigação, sendo sugerido como um locus de suscetibilidade ao TDAH. Embora existam resultados conflitantes, o alelo de 7 repetições gerado por um VNTR de 48pb localizado no exon 3 parece ser o principal alelo de risco. Evidências neurobiológicas também sugerem o envolvimento do sistema serotoninérgico. O principal locus investigado é o gene do transportador de serotonina (5-HTT), através do marcador 5-HTTLPR, um indel de 44pb na região promotora que possui efeito funcional. Tanto resultados positivos quanto negativos já foram verificados em estudos de associação com o TDAH, tendo sido sugerido o alelo longo (L) como de risco. Entretanto, estes estudos não têm explorado um SNP presente na inserção de 44pb (A>G, rs25531), descrito mais recentemente e que influencia fortemente a eficácia transcricional do gene, sendo sugerida a sua inclusão em estudos futuros e para corroborar achados prévios. A natureza complexa do fenótipo TDAH impõe ainda a necessidade do emprego de análises que contemplem modelos etiológicos mais elaborados e adequados para a busca por genes de susceptibilidade, tais como as análises de interação gene-gene. O presente trabalho objetivou, então, testar duas hipóteses: 1) a participação do gene 5-HTT na etiologia do TDAH, por meio da análise do sistema trialélico (5-HTTLPR/ rs25531) e 2) a possibilidade de interação entre os genes 5- HTT (5-HTTLPR/ rs25531) e DRD4 (VNTR de 48pb) na expressão desse fenótipo. A amostra utilizada foi obtida junto ao Programa do Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (ProDAH/HCPA) e em escolas públicas de Porto Alegre, consistindo de 478 crianças e/ou adolescentes com TDAH, diagnosticados de acordo com os critérios do DSM-IV, seus pais biológicos e 100 indivíduos controles. Os polimorfismos do gene 5-HTT foram genotipados por PCR convencional e detecção em gel, sendo necessária também incubação com a endonuclease MspI para a discriminação do rs25531. O polimorfismo do gene DRD4 foi genotipado em estudos prévios realizados pelo nosso grupo. A hipótese de associação com o 5-HTT foi testada por um método baseado em famílias (FBAT) e a hipótese de interação entre os loci foi testada através de: 1) teste qui- quadrado de Pearson; 2) regressão logística binária e 3) ANOVA de uma via. Para as análises de interação, os pacientes foram agrupados como portadores e não portadores do alelo 7R para o gene DRD4 e de acordo com a suposta eficácia dos alelos para o 5-HTT (baixa = SS, SLG e LGLG; média = SLA e LALG; alta = LALA). O estudo de associação não mostrou nenhum resultado positivo, tanto para a amostra total do ProDAH quanto em subgrupos de pacientes definidos por critérios clínicos (0,152≤P≤0,902). Similarmente, nenhuma das abordagens que testaram interação gene-gene teve resultados com significância estatística (0,073≤P≤0,852). Em relação ao 5-HTT, ao replicarmos na forma trialélica um resultado prévio obtido em nossa amostra com a forma bialélica, acreditamos que não tenha efeito em nossa população, embora heterogeneidade genética/alélica pode explicar a divergência em comparação à literatura. Uma caracterização ―população-específica‖ do locus 5-HTT, aliada a estudos de funcionalidade com diferentes polimorfismos, parece ser fundamental para apontar a real significância do sistema 5-HTTLPR/rs25531 na função deste gene, e, consequentemente, no TDAH, nas diferentes amostras estudadas. Em relação às abordagens de interação gene-gene, os resultados negativos não devem ser encarados como definitivos, uma vez que há ainda muitas limitações e divergências nas metodologias utilizadas atualmente. Diferentes modelos de interação, juntamente com a investigação de clusters gênicos, podem ajudar a compreender de forma mais exata a participação de diferentes genes na etiologia do TDAH, incluindo os genes 5-HTT e DRD4. Acreditamos ainda que a natureza pioneira do presente estudo possa estimular investigações futuras sobre os aspectos aqui discutidos. |