As massas e a personalidade autoritária: a contribuição da psicanálise nos estudos de Adorno sobre o fascismo

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2025
Autor(a) principal: Thomaz, Rita de Cassia [UNESP]
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Estadual Paulista (Unesp)
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://hdl.handle.net/11449/295422
Resumo: O século XX foi marcado por um acentuado progresso técnico-científico, pela disputa imperialista e por duas guerras mundiais. Nesse contexto bélico e de transformação das formas de reprodução do capital, coube a Adorno pensar os reflexos de todos esses fenômenos para a constituição da individualidade. Na Dialética do Esclarecimento, Adorno e Horkheimer (1985) tratam como equivalentes as modificações que ocorrem nas pessoas e nas empresas e que são fundamentais para o desenvolvimento econômico. Do mesmo modo que as pequenas lojas sucumbem diante do surgimento das lojas de departamento, o aparelho psíquico deixa de ser administrado desde o interior, pelo ego, e, então, seu controle passa a ser exercido desde o exterior, visto que o ritmo idêntico da produção mecanizada impõe os padrões de comportamento, desde as repetitivas atividades que o indivíduo desenvolve em seu trabalho até a hora de lazer, que é tomada pelos produtos da indústria cultural. Nos estudos realizados por Adorno sobre o fascismo, a psicologia de massa freudiana tem centralidade, pois auxilia na compreensão dos mecanismos de gratificação pulsional que conduzem o indivíduo isolado e enfraquecido para a massa fascista. Freud (2021) dá ênfase ao vínculo libidinal que une os seguidores em torno do líder, à medida que cada um deles coloca essa figura onipotente no lugar de seu ideal do ego. Os conceitos da psicanálise são utilizados por Adorno para compreender o enfraquecimento do indivíduo na sociedade contemporânea e o modo que as feridas impostas a ele, no processo de autoconservação, são ao mesmo tempo redirecionadas de maneira destrutiva ao out-group. Com efeito, o processo de formação cultural é violento e administrado; as pulsões eróticas e destrutivas estão a serviço da dominação no longo ciclo que une progresso e barbárie. Para Adorno, em consonância com os demais pensadores da Teoria Crítica, cada época produz o tipo de personalidade apropriado aos fins da dominação. No exílio norte-americano, durante a expansão nazista, o autor esteve reunido com outros pesquisadores a fim de aprofundar o estudo das tendências da personalidade autoritária, marcada pela submissão, por um ego fraco e por um pensamento ligado as dimensões de poder. A partir da apropriação que Adorno (2015; 2019) faz da psicanálise, nosso objetivo é estudar de que maneira os conceitos freudianos foram utilizados no estudo do fascismo e como as reflexões de Adorno sobre o campo formativo podem trazer luz para os atuais desafios da educação, no que diz respeito ao processo de isolamento e massificação, que no século XXI estão associados aos novos produtos culturais, como internet e celulares, e às novas formas de socialização.