Espectro clínico e prognóstico da infecção por Leishmaniose Visceral em crianças e adolescentes internados no Hospital Estadual Bauru no município de Bauru – SP.

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2025
Autor(a) principal: Rocha, Renata Silveira [UNESP]
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Estadual Paulista (Unesp)
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://hdl.handle.net/11449/269439
Resumo: A Leishmaniose Visceral (LV) é uma antropozoonose potencialmente grave, causada nas Américas por protozoário da espécie Leishmania (L.) infantum, transmitido através da picada de flebotomíneos (Lutzomyia longipalpis). É uma doença crônica, sistêmica com alta taxa de morbidade e de mortalidade, podendo evoluir a óbito em mais de 90% dos casos se não tratados. O objetivo do nosso estudo foi descrever o espectro clínico e laboratorial, além do prognóstico (letalidade e recidivas) em crianças e adolescentes internados em hospital de referência em Bauru-SP. O estudo teve delineamento de coorte não- concorrente (retrospectiva), baseada no levantamento de prontuários de pacientes com diagnóstico de LV e idade inferior a 18 anos, internados no Hospital Estadual Bauru (HEB) entre os anos de 2009 e 2019. Ao todo, foram incluídos 154 casos, com idade mediana de 45 meses (ou seja, 3 anos e 9 meses). Os quartis foram delimitados em 16 e 96 meses de idade. Houve sutil predominância do sexo masculino (53%). O tempo entre o início dos sintomas e a admissão hospitalar teve como mediana 14 dias (quartis, 7 e 30). Os sintomas mais frequentes foram a Febre (97%), o aumento do volume abdominal (25%), a perda do apetite (23%) e a astenia (20%). Já em relação aos sinais constatados no exame médico da admissão, os mais frequentes foram a esplenomegalia (95,3%), a hepatomegalia (93,4%), a palidez (78,9%) e a febre (28,6%). Nos resultados laboratorias à admissão, constatou-se frequente pancitopenia, com medianas de: 7,5mg/dL para hemoglobina, 2.900 para contagem de leucócitos e 82.300 para contagem de plaquetas. Havia também frequente elevação de AST (mediana=70mg/dL) e ALT (mediana=46 mg/dL), além de hipoalbuminemia (mediana=2,7mg/dL) e hipergamaglobulinemia (mediana=4,1mg/dL). A Anfotericina B lipossomal foi o tratamento utilizado 89% dos casos. A taxa de letalidade foi de 2,6%, e os casos de recidivas, apresentaram uma taxa geral de 4,6%. Quando analisamos de forma comparativa os diferentes quartis de idade, percebemos que pacientes no primeiro deles (até 16 meses) apresentaram alterações clínicas e laboratoriais mais intensas e menor tendência à normalização de hemograma no dia 7 após tratamento. Não houve óbitos ou recidivas no quartil de idade mais elevada (maiores que 96 meses). Quando desfechos diferentes de cura definitiva (óbito e recidiva) foram analisados em conjunto, somente a presença de tosse (possivelmente um proxy de infecção respiratória) apresentou associação independente (Odds Ratio=5,11; IC95%=1,06-24,61).