Composição corporal e fragilidade como preditores de complicações infecciosas e não infecciosas em pacientes transplantados renais. Estudo de coorte de três meses.

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2019
Autor(a) principal: Mantovani, Milena dos Santos
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Estadual Paulista (Unesp)
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: http://hdl.handle.net/11449/181221
Resumo: Introdução: Nos dias atuais, o transplante renal (TxR) é a melhor alternativa terapêutica para os pacientes em estágio final da doença renal crônica. Para que o TxR seja realizado, são definidas avaliações criteriosas com o intuito de minimizar desfechos desfavoráveis. A avaliação do estado nutricional deveria ser melhor explorada nesse contexto, através de técnicas mais acuradas, visto que os extremos de diagnóstico nutricional (desnutrição e obesidade) podem interferir nos desfechos do transplante. A fragilidade é uma condição de reserva fisiológica reduzida que vem mostrando-se associada a desfechos relevantes após o TxR. Objetivo: Avaliar a fragilidade e a composição corporal como preditores de desfechos após o transplante renal. Metodologia: Trata-se de um estudo prospectivo observacional, que incluiu indivíduos com idade ≥ 18 anos, submetidos ao TxR no Serviço de Transplante Renal do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Botucatu – UNESP entre março de 2017 e março de 2018. Foram excluídos indivíduos cujo transplante não tenha sido exclusivamente renal e os que possuíam critérios que contraindicassem a realização do exame de bioimpedância elétrica (BIA) e a aplicação do escore de fragilidade. Indivíduos com líquido no peritônio e próteses metálicas foram excluídos do estudo da composição corporal. Na admissão para o TxR, foram coletados dados demográficos e clínicos, foi realizada a avaliação da composição corporal pela técnica de BIA, o estado nutricional foi avaliado pelo índice de massa corporal (IMC) e foi aplicado o escore de fragilidade. Três meses após o TxR, avaliou-se desfechos infecciosos e não infecciosos, relacionando-os com a composição corporal, o IMC e a fragilidade pré-TxR. O escore de propensão foi utilizado para o ajuste de possíveis variáveis confundidoras no estudo da fragilidade e modelos de regressão logística foram aplicados na avaliação da composição corporal e do IMC. Resultados: Dentre os 87 pacientes incluídos no estudo, 77 puderam realizar a avaliação através da BIA. Em relação à fragilidade, 36,8% dos indivíduos foram considerados com algum nível de fragilidade (frágeis e fragilidade intermediária). Após o pareamento através do escore de propensão, a chance de ocorrerem complicações cirúrgicas mostrou-se estatisticamente maior nos indivíduos com algum grau de fragilidade (OR = 3,84; IC 95%: 1,23–11,80; p = 0,017), especificamente as complicações cirúrgicas não infecciosas (OR = 4,20; IC 95%: 1,29–13,70; p = 0,014). Quando se considerou o IMC, 57,1% dos indivíduos foram classificados como eutróficos, 26,0% como desnutridos e os obesos representaram 16,9% da casuística. Contudo, quando a análise da composição corporal foi realizada pela técnica de BIA, predominaram indivíduos com porcentagem de gordura corporal alta (68,8%), área de gordura visceral elevada (52,0%) e circunferência de cintura elevada (54,5%). A quantidade de massa magra mostrou-se baixa em 18,2% dos indivíduos. Após ajuste por regressão logística, a chance de ocorrerem complicações cirúrgicas foi maior em indivíduos com quantidade de massa magra baixa (OR = 3,333; IC 95%: 1,013-10,971; p = 0,048), a circunferência de cintura elevada associou-se à maior ocorrência de infecção do trato urinário (OR = 2,778; IC95%: 1,030–7,547; p = 0,044) e à menor taxa de filtração glomerular ao final do seguimento (OR = 3,939; IC 95%: 1,443–10,757; p = 0,007), e indivíduos com área de gordura visceral elevada tiveram maior chance de apresentarem infecção/doença por citomegalovírus (OR = 4,465; IC 95%: 1,183–16,856; p = 0,027). Conclusão: A fragilidade e a composição corporal comportaram-se como fatores preditores de desfechos relevantes três meses após o TxR. A fragilidade mostrou-se associada à maior ocorrência de complicações cirúrgicas não infecciosas. Indivíduos com circunferência de cintura elevada apresentaram mais ITU e menores taxas de filtração glomerular. Maior área de gordura visceral esteve mais associada à infecção/doença por CMV. Por fim, indivíduos com baixa quantidade de massa magra evoluíram mais frequentemente com complicações cirúrgicas.