Desvendando contos populares: o revisionismo feminista de Vita Murrow e os contos ancestrais de Daniel Munduruku

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2025
Autor(a) principal: Lopes, Maria Clara Teixeira [UNESP]
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Estadual Paulista (Unesp)
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://hdl.handle.net/11449/295693
Resumo: A presente pesquisa analisa dois livros de literatura para as infâncias: Lute como uma princesa (2019) de Vita Murrow e As serpentes que roubaram a noite e outros mitos (2001) de Daniel Munduruku. O principal objetivo do trabalho está em comparar os livros supracitados considerando as aproximações e os distanciamentos entre diferentes vertentes dos contos populares: os contos de fadas e os contos ancestrais dos povos originários brasileiros. A partir dessa comparação evidenciam-se os aspectos compartilhados pelas obras em especial a força da tradição, subvertida por Murrow e reforçada por Munduruku. De maneira mais específica, procura-se ressaltar a relevância do revisionismo (Rich, 1972; Martins, 2015) ao acrescentar perspectivas às histórias, inscrevendo nelas os aspectos culturais dos povos que as reproduzem, e destacar a representatividade desse tipo de narrativa. Para tanto, fundamentando-se nos Estudos Culturais e nos Estudos de Gênero (Butler, [1993] 2019; Curiel, 2020; Lugones, 2019; Crenshaw, 2002; Collins; Bilse, 2021), investiga-se o próprio gênero conto e os contos de fadas, mais especificamente, a fim de apreender a maneira como o revisionismo (tanto o revisionismo feminista quanto a reescritura da História feita pelos povos nativos) inscreve nas histórias aspectos de gênero e raça e outras questões culturais, principalmente nos contos de Murrow e Munduruku. Ademais, busca-se difundir a literatura indígena demonstrando sua potência e sua relevância no cenário brasileiro a partir de textos críticos e literários de autores indígenas (Munduruku, 2009, 2012, 2016, 2018; Krenak, 2020a, 2020b, 2018, 2022; Kambeba, 2018; Jekupé, 2018). Por fim, vale evidenciar a importância desta pesquisa ao retomar, por meio da literatura, a cultura dos povos originários tão cara à identidade brasileira, destacando discussões de gênero e de raça, utilizando-se para tal do revisionismo e de perspectivas decoloniais significantes para o avanço da nossa sociedade ainda patriarcal e racista.