A invenção do indivíduo pós-humano: imaginação, competência e a expectativa de ser outro nas capas das revistas Superinteressante e Galileu

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2017
Autor(a) principal: Damiati, Djaine [UNESP]
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Estadual Paulista (Unesp)
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: http://hdl.handle.net/11449/152024
Resumo: Com base na análise temática e de conteúdo das capas das revistas Superinteressante e Galileu, publicadas entre os anos de 2004 e 2014, este trabalho procura apontar algumas das estratégias de produção de um determinado sentido da realidade social utilizadas pelas principais representantes do gênero midiático no Brasil. A pesquisa também se propõe a demonstrar o modo como este tipo de publicação constrói uma discursividade coerente com a lógica da racionalidade neoliberal que, por sua vez, não apenas modificou o senso de realidade social nas últimas três décadas – gerando a afirmação hegemônica dos valores do hiperindividualismo, da competitividade extrema, do livre mercado, das virtudes inatas do mercado – como também, produziu uma nova forma de vida, uma nova subjetividade: o ser humano compreendido como um empreendedor de si mesmo, um capital humano que deve sempre ser valorizado e potencializado. A pesquisa percorre o universo das capas que retratam, de diferentes formas, as possibilidades oferecidas pelas tecnociências em direção ao “aprimoramento” humano e à criação de uma nova antropologia humana. Nosso objetivo é mostrar como estas revistas assumem estratégias cognitivas que procuram 1) atenuar o sentimento de insegurança e incerteza frente ao futuro nas sociedades pós-industriais, sugerindo técnicas científicas para o alcance da competência necessária para que o indivíduo consiga sobreviver em meio à competitividade dos tempos atuais; 2) atuar no sentido de alterar nossa gramática moral, ao tentar suprimir o criticismo por meio de seu discurso, sob o pretexto de nos auxiliar a lidar com as dificuldades geradas pela constante aceleração social; 3) criar novos horizontes de expectativas e desejos, procurando gerar no indivíduo a superação de restrições quanto ao consumo e a utilização das biotecnologias emergentes. A contribuição da pesquisa consiste primordialmente no esclarecimento do intrincado processo que leva à subjetivação da antropotécnica que se realiza por meio de articulações entre ciência, mercado e mídia, promovendo novas e mais complexas formas de alienação.