Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: |
2019 |
Autor(a) principal: |
Machado, Carla de Moraes [UNESP] |
Orientador(a): |
Não Informado pela instituição |
Banca de defesa: |
Não Informado pela instituição |
Tipo de documento: |
Tese
|
Tipo de acesso: |
Acesso aberto |
Idioma: |
por |
Instituição de defesa: |
Universidade Estadual Paulista (Unesp)
|
Programa de Pós-Graduação: |
Não Informado pela instituição
|
Departamento: |
Não Informado pela instituição
|
País: |
Não Informado pela instituição
|
Palavras-chave em Português: |
|
Link de acesso: |
http://hdl.handle.net/11449/181860
|
Resumo: |
A associação do baixo peso ao nascer com alto risco de doenças como obesidade, diabete tipo 2 e doenças cardiovasculares na vida adulta levaram à hipótese da “Origem Desenvolvimentista da Saúde e Doença” (DOHaD). Nessa hipótese, Programação se refere às adaptações executadas pelo organismo frente a insultos ocorridos durante seu desenvolvimento, gerando efeitos permanentes ou não na estrutura e função de órgãos. A nutrição materna durante o desenvolvimento do indivíduo é considerada um importante indutor de Programação, visto que a deficiência de nutrientes, durante a prenhez e a lactação, provoca alterações significativas no peso corpóreo, no balanço energético, na ingestão alimentar e na expressão de neuropeptídeos. O hormônio concentrador de melanina (MCH) e o transcrito regulado pela cocaína e anfetamina (CART) são neuropeptídeos expressos na área hipotalâmica lateral (LHA), que participam da regulação do balanço energético e do comportamento alimentar, nos quais o MCH desempenha papel orexígeno e o CART, anorexígeno. Nosso objetivo foi analisar o número e a distribuição de neurônios MCH e CART e sua ultraestrutura na LHA de ratos cujas mães foram submetidas à restrição alimentar durante a prenhez e lactação. Fêmeas prenhes Wistar foram separadas em dois grupos experimentais: grupo controle (GC), dieta padrão ad libitum, e grupo restrição calórica (GR), dieta de 50% de restrição em relação ao grupo controle durante os períodos de prenhez e lactação. Foram avaliados o número de animais de cada prole e o peso no DPN 1. Os filhotes machos, provenientes dos grupos restrição (GR) e controle (GC), foram divididos em cinco subgrupos etários (n=8) de 21, 28, 50, 90 e 540 dias. Foram avaliados o peso e comprimento corpóreo de cada animal, sua ingestão alimentar após o desmame, e os níveis sanguíneos de glicose, insulina e leptina, além dos testes de tolerância oral à glicose e à insulina nos animais de 540 dias. Os encéfalos foram processados para análise do número e da distribuição dos neurônios MCH e CART na área hipotalâmica lateral, segundo protocolos de imuno-histoquímica (n=5) e microscopia eletrônica de transmissão (n=3). O mapeamento e a estimativa do número de neurônios MCH e CART na LHA foram realizados, respectivamente, por reconstrução tridimensional e estereologia. A ultraestrutura dos neurônios MCH e CART foi analisada qualitativamente por MET. Nossos dados indicaram que a restrição alimentar materna provocou diminuição permanente no peso e comprimento corporais, no peso encefálico e das gorduras visceral e retroperitoneal. Não foram observadas modificações no metabolismo de glicose e na eficiência alimentar do GR, embora a ingestão alimentar relativa desses animais tenha sido superior ao GC. Não foram observadas alterações nos níveis séricos de leptina, porém os animais do GR apresentaram diminuição dos níveis de insulina no DPN 21. Aos 540 dias de idade, o GR apresentou uma diminuição do número de neurônios CART na LHA. Não houve diferenças no número de neurônios MCH entre os grupos, mas a área e o volume da LHA foi menor no GR em 21, 50 e 90 dias. Modificações na distribuição dos neurônios CART na LHA foram observadas no DPN 540, com diminuição do número de células na região perifornicial e nas secções mais caudais da LHA. Nenhuma alteração ultraestrutural foi observada no GR, tanto nos neurônios CART quanto nos MCH. Concluimos que a restrição alimentar materna durante a prenhez e lactação modificou a estrutura corporal dos descendentes e seu comportamento alimentar. Além disso, diminuiu o número de neurônios CART da LHA, alterando sua distribuição, sem alterações nos neurônios MCH, que não foram refletidas na ultraestrutura. |