Transição de ecoeficiência na construção de habitações populares na Amazônia, pela introdução de bambu, considerando a avaliação de ciclo de vida

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2021
Autor(a) principal: Araújo, Letícia Medeiros de
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Estadual Paulista (Unesp)
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: http://hdl.handle.net/11449/215182
Resumo: A Amazônia brasileira abrange o norte do país e está distante dos principais centros econômicos e industriais do Brasil. Esse isolamento emerge desafios de logística de materiais para a região, incluindo aqueles relacionados à construção civil. A demanda no setor construtivo tem crescido nessa região, pelo seu potencial econômico, gerando também mais impactos ambientais ligados à produção dos materiais construtivos, aos modais de logística e ao desenvolvimento da obra civil. A avaliação de ciclo de vida (ACV) tem sido cada vez mais utilizada no setor construtivo, realizando uma análise do produto ou do processo em todo seu período de vida útil. A presente pesquisa consiste em avaliar a transição de ecoeficiência na construção de habitações populares na Amazônia, pela introdução do bambu. O estudo foi realizado na cidade de Rio Branco, capital do estado do Acre (AC). Considerou-se inicialmente um projeto de casas populares e a sua comparação com materiais convencionais utilizados na construção civil, além da avaliação do efeito da introdução do bambu em substituição ao aço. Para o estudo foi elaborado um inventário da cadeia produtiva do bambu em Rio Branco e um inventário da construção da habitação popular para as duas concepções de projeto avaliadas, a partir de coleta de dados locais. Um estudo comparativo de ACV atribucional entre as residências com estruturas de bambu e aço, foi realizado com auxílio do software SimaPro v 9.1.0.11 e da metodologia ReCiPe 2016, com a abordagem midpoint (H). As categorias de impacto selecionadas foram: mudança climática, depleção do ozônio estratosférico, formação de material particulado, eutrofização de água doce, toxicidade humana cancerígena, esgotamento de recursos minerais e consumo de água. Para a transição de ecoeficiência, foi relacionado o valor econômico de cada residência obtido a partir de valores praticados na região, utilizando a tabela SINAPI, em relação ao quantitativo de carga ambiental de ambas, obtidos através da ACV realizada. Os resultados de ACV mostraram que a categoria de impacto relativamente mais significante foi a toxicidade humana cancerígena, em ambos os processos, porém a residência com a estrutura de bambu apresentou uma redução de 9,53% de diferença nessa categoria específica. A categoria de impacto de eutrofização da água doce se destacou no projeto estrutural de bambu em relação ao aço, com uma diferença de 2% entre os dois processos. As demais categorias de impacto também se mostraram menos impactantes na residência com estrutura de bambu em relação àquela com aço. A categoria de impacto que apresentou a maior diferença entre os dois processos foi o consumo de água, atingindo uma redução de 89% na estrutura de bambu. Na análise de econômica a residência com estrutura em aço apresentou um valor total da obra 16% inferior em relação à estrutura de bambu. Todavia, a residência com a parte estrutural em bambu apresentou uma ecoeficiência de 0,97 mPt/R$ enquanto a residência com parte estrutural em aço atingiu 1,37 mPt/R$, demonstrando uma transição de ecoeficiência desejável na construção de habitações populares na Amazônia. A partir desse estudo, foi possível concluir que a residência popular com estrutura em bambu em ambiente amazônico mostrou redução de 15,09% de impactos ambientais totais em relação a residência popular com estrutura convencional em aço, podendo esse número ser melhor quando apresentada soluções de melhorias na gestão de resíduos da cadeia produtiva de bambu artesanal.