Estimulação ovariana controlada para criopreservação de oócitos em pacientes com câncer de mama

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2017
Autor(a) principal: Cavagna, Felipe Andreotta [UNESP]
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: eng
Instituição de defesa: Universidade Estadual Paulista (Unesp)
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: http://hdl.handle.net/11449/151029
Resumo: O câncer de mama é uma doença maligna relativamente comum em mulheres adultas jovens, justificando a preocupação com a potencial toxicidade gonadal relacionada à quimioterapia. É importante considerar o encaminhamento precoce de pacientes jovens com câncer de mama que tenham desejos reprodutivos para especialistas, a fim de discutir sobre a preservação da fertilidade. A criopreservação de embriões ou de oócitos estão entre os principais métodos à disposição, e para conseguir isso, estimulação ovariana controlada (EOC) é o primeiro passo a ser considerado. O presente estudo tem como objetivo apresentar protocolo de estimulação ovariana em para preservação da fertilidade em pacientes com câncer de mama. De novembro de 2014 a dezembro de 2016, 109 pacientes com câncer de mama com menos de 40 anos de idade foram selecionadas para preservar seu potencial reprodutivo. Elas foram divididas de acordo com a fase do ciclo menstrual em que o estímulo ovariano foi iniciado: fase folicular inicial, fase folicular tardia e fase lútea. Para reduzir o tempo necessário da obtenção dos oócitos, este estudo utilizou o princípio do início aleatório, no qual a EOC pode ser iniciada durante qualquer período do ciclo menstrual sem consequências negativas. O letrozol foi utilizado durante toda a estimulação para diminuir as concentrações de estradiol, independentemente da imunohistoquímica tumoral. Na presença de tumores positivos ao estradiol, e indicação de quimioterapia neoadjuvante, o tamoxifeno foi utilizado como uma medida de proteção adicional. Um agonista do GnRH foi utilizado para desencadear a maturação folicular final, diminuindo o risco de síndrome de hiperestimulação ovariana. Foram analisados os seguintes parâmetros: idade das pacientes, dia de início da EOC, número de dias de EOC, dose total de FSH, níveis de estradiol no dia de maturação folicular final, número de oócitos coletados e número de oócitos vitrificados. A idade média dos pacientes foi de 31,27 ± 4,22 anos. A duração média da EOC foi de 10,0 ± 1,39 dias. O número médio de oócitos coletados foi de 11,62 ± 7,96 e o número médio de oócitos vitrificados foi de 9,60 ± 6,87. A concentração média de estradiol no dia do desencadeamento da ovulação foi de 706,30 ± 450,48 pg / mL, e a dose média de FSH administrada foi 2610,00 ± 716,51 UI. Ao comparar os resultados de acordo com a fase do ciclo no qual a EOC foi iniciada, não houve diferenças significativas no número de oócitos colhidos e vitrificados, duração da estimulação ovariana e dos níveis de estradiol no dia do desencadeamento da ovulação. Observou-se uma diminuição estatisticamente significativa da dose total de FSH administrada nos grupos que iniciaram a EOC na fase folicular tardia e na fase lútea, quando comparada com a fase folicular inicial. Esses resultados sugerem que a criopreservação de oócitos ou embriões com um protocolo específico para pacientes com câncer de mama, é eficaz e pode ser oferecida a mulheres jovens submetidas a tratamento citotóxico que têm preocupações relacionadas ao seu futuro reprodutivo.