Equilíbrio e risco de quedas em idosos submetidos à reabilitação auditiva

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2025
Autor(a) principal: Carli, Flávia Vilas Boas Ortiz [UNESP]
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Estadual Paulista (Unesp)
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://hdl.handle.net/11449/295625
Resumo: Introdução: o envelhecimento humano gera modificações funcionais, estruturais e sensoriais importantes. A perda auditiva é uma das três condições crônicas mais prevalentes, podendo atingir até 84% das pessoas idosas. Sabe-se que indivíduos com perda auditiva são mais propensos a ter alterações de equilíbrio e histórico de queda, os quais podem promover sérios distúrbios na qualidade de vida da população geriátrica. Desde 2004, a Política Nacional de Atenção à Saúde Auditiva oferece à população brasileira o acesso à rede de atenção auditiva para o diagnóstico, seleção e adaptação da prótese auditiva e reabilitação dos idosos. Objetivo: analisar a efetividade da reabilitação auditiva com o uso de aparelhos de amplificação sonora individual no equilíbrio de pessoas idosas. Material e Método: Trata-se de um estudo de intervenção de um grupo único não controlado. Foram avaliados 11 participantes idosos com perda auditiva em atendimento no Setor de Audiologia do Centro Especializado em Reabilitação (CER), Unesp-Marília/SP. A coleta de dados foi realizada por meio dos seguintes instrumentos: Hearing Handicap Inventory for the Elderly Screening Version, um questionário de autoavaliação da restrição de participação, Questionário de Identificação de quedas e MiniBESTest, Estabilometria e Timed Up and Go, os quais avaliam o equilíbrio e o risco de quedas. Esses procedimentos foram realizados em três momentos durante um período de um ano com intervalos de seis meses. Resultados: Foram avaliados 11 participantes, sendo, 8 do sexo masculino e 3 do sexo feminino, portanto, a maioria da amostra foi composta por homens, hipertensos, com média de idade de 73 anos e ensino fundamental incompleto. Na pré adaptação do aparelho de amplificação sonora individual o risco de quedas dos participantes com perda auditiva era de 43,3%, sendo que, após a reabilitação na terceira avaliação, o risco foi reduzido a zero. O equilíbrio, avaliado pelo MiniBESTest, apresentou uma melhora significativa (p=0,018), assim como a autopercepção de restrição, tanto emocional (p=0,002) quanto social (p=0,005), avaliada por meio do Hearing Handicap Inventory. Embora não tenha sido observada uma diferença estatisticamente significativa no desempenho dos idosos por meio do teste Timed Up and Go após a reabilitação, os resultados indicaram uma melhora no desempenho ao longo de doze meses de intervenção. Quanto a estabilometria, a análise dos deslocamentos do centro de pressão na direção lateral, com os olhos abertos, mostrou uma melhora no equilíbrio após seis meses de reabilitação auditiva (p=0,033). No entanto, ao final de 12 meses de reabilitação, observou-se um aumento na velocidade de deslocamento lateral, tanto com os olhos abertos (p=0,001) quanto fechados (p=0,020), indicando uma piora na estabilidade postural. Conclusão: O uso de aparelho de amplificação sonora individual demonstrou ser efetivo em relação a autopercepção emocional e social, no equilíbrio e no risco de quedas. Porém, o equilíbrio lateral apresentou melhora após 6 meses e piora após 12 meses de reabilitação. Esses resultados sugerem que, embora a reabilitação auditiva tenha contribuído para o equilíbrio dos idosos estudados, há necessidade de novos estudos longitudinais para monitorar e esclarecer possíveis impactos negativos na estabilidade postural a longo prazo.