Avaliação da possibilidade de detoxificação e utilização agrícola de lodo de esgoto, após bioestimulação, por meio de diferentes bioensaios

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2016
Autor(a) principal: Sommaggio, Lais Roberta Deroldo [UNESP]
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Estadual Paulista (Unesp)
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: http://hdl.handle.net/11449/143069
Resumo: A destinação final dos resíduos sólidos urbanos, como a do lodo de esgoto (LE) é de extrema preocupação, tanto pela sua produção crescente como pela possibilidade de conterem substâncias tóxicas, que podem comprometer o meio ambiente e os organismos expostos a tais resíduos. A reciclagem de LE é uma questão muito importante, sob o ponto de vista ambiental, já que a destinação do mesmo, em sua maioria, é feita em aterros sanitários. O LE, por ser constituído, predominantemente, de matéria orgânica e nutrientes, tem um potencial para uso como recondicionante de solos agrícolas. No entanto, como este resíduo pode apresentar substâncias químicas indesejadas, como metais e substâncias orgânicas tóxicas, além de agentes patogênicos, podendo contaminar os solos. Neste contexto, a bioestimulação utiliza-se da adição de um agente que proporcione uma melhora das propriedades físico-químicas do sistema, para estimular o crescimento de microrganismos autóctones e, consequentemente, melhorar a degradação dos contaminantes. A casca de arroz é um bom agente estimulante porque promove, além de aumento de nutrientes, uma melhora na oxigenação do sistema, atuando como um eficiente descompactante de solo. A espécie Allium cepa e a cultura de células de hepatoma humano (HepG2) podem se caracterizar em interessantes sistemas testes a serem usados em avaliações ecotoxicológicas de compostos biorremediados. Devido à possível aplicação do LE como adubo orgânico, também é fundamental a avaliação do potencial agronômico deste resíduo, para um melhor entendimento do seu comportamento em solos agrícolas. Dessa forma, este trabalho visou avaliar a efetividade da bioestimulação, realizada com a adição de casca de arroz, na descontaminação do LE, por meio de ensaios ecotoxicológicos com A. cepa e células em cultura HepG2. Adicionalmente, foi avaliado o potencial agronômico do composto biorremediado, por análise química e por ensaios com o organismo teste Lactuca sativa. Amostras do LE, puras (LEP) e de suas misturas com solo (LE+S) e solo e casca de arroz (LE+S+CA) foram coletas antes (T0) e após serem biorremediadas por períodos de 3 (T1) e 6 (T2) meses. Os bioensaios com A. cepa e HepG2 foram realizados com os extratos aquosos das amostras. Os resultados obtidos para análise de fertilidade revelam que as amostras que continham os compostos biorremediados, possuíram um aumento do pH, da matéria orgânica e de macro e micronutrientes, quando comparado ao solo controle. As análises biométricas, realizadas com a espécie L. sativa, mostraram aumento significativos do número folhas, para todas as amostras tratadas com os compostos biorremediados, nos tempos T1 e T2. Com relação ao aumento da biomassa de raiz, caule e folhas dessa espécie, houve um aumento significativo das plantas cultivadas com LE+S+CA (T1). Para a biomassa da raiz, houve aumento nas alfaces do tratamento LE+S+CA (T2) e para a biomassa caulinar e foliar, o aumento foi dado no tratamento com LEP (T2). Na área foliar, o aumento foi observado nas alfaces cultivadas com LE+S+CA (T1), e LEP (T2). Os bioensaios realizados com A. cepa mostraram que a amostra de LEP (T1 e T2) inibiu a germinação das sementes, sendo necessária, para a obtenção de radículas, sua diluição em água. Foram observados efeitos citotóxicos, genotóxicos e mutagênicos para as amostras diluídas do LEP (T1 e T2). Para a mutagenicidade em F1, nenhum dos tratamentos foi estatisticamente significativo. No parâmetro de genotoxicidade em HepG2, foram observados valores significativos para o total de MNs em LEP (T2); quantidade de brotos celulares em LEP (T0, T1 e T2) e para a anormalidade composta de MN e broto em LEP (T1 e T2), demonstrando genotoxicidade nas amostras de LEP. Dessa forma, esse estudo demonstrou que embora as amostras biorremediadas de LE apresentaram uma melhora nos parâmetros agronômicos da espécie L.sativa, os extratos aquosos das amostras de LEP apresentaram-se tóxicos aos sistemas testes empregados, mesmo após os períodos de remediação. No entanto, a amostra bioestimulada LE+S+CA não apresentou efeitos tóxicos significativos para nenhum dos bioensaios, indicando a importância do desenvolvimento de tratamentos prévios do LE com agentes descompactantes, como a casca de arroz, para a sua detoxificação e utilização segura em solos agrícolas. Neste trabalho, também foi observada a eficiência dos ensaios realizados com os organismos testes Allium cepa e células HepG2 em avaliar a detoxificação de LE, após o mesmo ser submetidos a processos de biorremediação.