Fatores associados aos óbitos infantis evitáveis nos anos de 2000, 2010 e 2020: estudo brasileiro de base populacional

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2023
Autor(a) principal: Sousa, Mikaelly Rayanne Moraes
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Estadual Paulista (Unesp)
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: http://hdl.handle.net/11449/243085
Resumo: Introdução: A mortalidade infantil caracteriza-se pelos óbitos de crianças menores de um ano de idade. O componente neonatal inclui os óbitos até 27 dias e a pós-neonatal, entre 28 dias e um ano de vida. Apesar de todos os esforços, milhões de crianças ainda morrem por causas evitáveis no mundo. Conceituam-se como evitáveis, os óbitos que poderiam ser prevenidos pela adequada atenção à saúde e garantia de assistência de qualidade no pré-natal, parto e puerpério, especialmente em decorrência de diagnósticos e intervenções efetivas e precoces, com planejamento de ações que visem a sua redução. Objetivo: Conhecer os fatores associados aos óbitos infantis evitáveis no Brasil no início das últimas décadas. Método: Trata-se de estudo epidemiológico e de base populacional, constituído por três coortes históricas, observadas em 2000, 2010 e 2020. Utilizaram-se dados secundários do Sistema de Informações de Mortalidade (SIM), sobre a mortalidade infantil no Brasil. Para a análise da evitabilidade dos óbitos, foi empregada a proposta de evitabilidade da Lista de causas de mortes evitáveis por intervenções dos Sistema Único de Saúde. Resultados: De modo geral, diminuíram os óbitos evitáveis: o componente neonatal diminuiu 21,9%, enquanto o pós-neonatal teve redução de 40,9%. Sobre os critérios de evitabilidade, para os óbitos neonatais, a maior redução ocorreu para os óbitos preveníveis por adequada atenção ao recém-nascido e para os pós-neonatais, destacaram-se os previníveis por ações de diagnóstico e tratamento e por ações de promoção à saúde. Para os óbitos neonatais evitáveis, nos três anos analisados, nascer de cesárea foi fator independente de proteção e a idade gestacional entre 28-36 semanas, constituiu fator de risco, sendo que outras variáveis influenciaram de maneira independente, significativamente, mas de forma esporádica. Para o componente pós-neonatal evitável, dois fatores constituíram fator de risco independente nos três anos do estudo: analfabetismo materno e óbito no domicílio, sendo que de forma esporádica outras variáveis influenciaram significativamente o óbito. Conclusões: O principal fator de risco para o óbito neonatal evitável foi a prematuridade e para o óbito pós-neonatal evitável destacou-se o risco social, representado pelo analfabetismo e pela ocorrência no domicílio. Esse resultado sinaliza a necessidade de esforços constantes na criação de políticas públicas em saúde que englobem acesso adequado e de qualidade, desde a gestação até a primeira infância, ampliando o olhar para essa população e articulando às tecnologias disponíveis no sistema de saúde, com intuito de contribuir para a redução da mortalidade infantil evitável no Brasil.