Resistência aos antimicrobianos e virulência de E. coli isoladas de mastite bovina com diferentes níveis de gravidade clínica

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2019
Autor(a) principal: Guerra, Simony Trevizan [UNESP]
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Estadual Paulista (Unesp)
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: http://hdl.handle.net/11449/183112
Resumo: Escherichia coli é o principal agente de mastite clínica bovina de origem ambiental, caracterizado pela complexidade de fatores de virulência (FV). O patógeno causa sinais clínicos que variam desde alterações exclusivamente no leite (grau 1 ou leve), no quarto afetado (grau 2 ou moderado), até manifestações sistêmicas (grau 3 ou grave). No entanto, até o momento, não está estabelecido o perfil de genes deste patógeno relacionados à virulência em infecções mamárias em vacas, tampouco com a gravidade clínica dos casos. Neste cenário, o presente estudo investigou 18 genes associados com E. coli extraentérica (ExPEC), o perfil “in vitro” de motilidade swimming e swarming, e a sensibilidade/resistência aos antimicrobianos em 114 isolados de E. coli obtidos de vacas com mastite clínica com escores de gravidade 1 (45/114=39,5%), 2 (62/114=54,4%) e 3 (7/114=6,1%). Os principais genes codificadores de FV detectados foram de adesinas (fimH, 114/114=100%; ecpA, 73/114=64,0%; fimA, 36/114=31,6%), resistência ao soro (traT, 93/114=81,6%; ompT, 40/114=35,1%), sideróforos (irp2, 11/114=9,6%) e hemolisina (hlyA, 8/114=7%). Os isolados apresentaram 99,1% (113/114) de resistência in vitro a bacitracina e cloxacilina, 98,2% (112/114) a lincosamina e 54,4% (62/114) a eritromicina. Do total de isolados, 98,2% (n=112/114) foram multirresistentes pelo cálculo do índice de resistência múltipla aos antimicrobianos (IRMA). Não houve diferença estatística significante entre as medianas para motilidade swimming (13,8 mm) e swarming (13,5 mm), bem como para os níveis de gravidade clínica e os genes investigados. A presença de isolados multirresistentes aos antimicrobianos reforça a necessidade do uso racional destes fármacos no tratamento e profilaxia da mastite bovina. A alta frequência de detecção nos isolados dos genes relacionados a resistência ao soro (traT, ompT) e adesão (ecpA); bem como a maior frequência das associações entre os genes fimH, ecpA e traT em vacas com escore 1 (7/45=15%) e 2 (14/62=22,6%) sugerem que os genes traT, ecpA e ompT poderiam servir como biomarcadores de ExPEC em infecções mamárias clínicas em vacas. No entanto, a não significância estatística deste achado indica que outros mecanismos de virulência e fatores ligados a vaca possam estar envolvidos na ocorrência e gravidade clínica da mastite bovina. Na literatura consultada, os genes associados com ExPEC de resistência ao soro ompT, da invasina ibe10 e da adesina ecpA foram investigados pela primeira vez em casos de mastite em vacas nos quais os escores de gravidade clínica foram investigados.